LARA
Volto ao hospital no início da manhã, com o coração apertado e as mãos ocupadas. Levo flores frescas — as preferidas dela — e um livro que ela costumava reler nos dias difíceis. Não espero milagres, mas carrego comigo a esperança silenciosa de que algum gesto, som ou cheiro possa atravessar o nevoeiro em que ela está presa.
A UTI tem o mesmo cheiro de sempre. Um misto de antisséptico, metal e ausência. Cumprimento a equipe com um aceno contido. Já me conhecem. Sabem quem sou. Sabem que ven