DORIAN
Quando abro a porta de casa, não espero encontrar risos.
O dia foi longo, como todos os últimos têm sido. As reuniões se arrastaram, as decisões exigiram mais diplomacia do que estou acostumado a ceder, e o trânsito parecia querer provar que cidade tem alma de tortura. Mas é esse som — esse som específico — que me faz parar no corredor e esquecer tudo.
Uma gargalhada. Alta. Solta. E outra em seguida.
Duas vozes femininas, em perfeita sintonia, rindo como se o mundo não tivesse mais nenhu