LARA
A primeira coisa que ouço é a máquina.
Um bip constante, como um metrônomo do mundo que ainda pulsa.
Depois, o cheiro.
Desinfetante, álcool, algo frio e clínico.
O som da respiração dele vem em seguida.
Baixa, ritmada, como se ele estivesse se esforçando para manter a calma.
Mas eu conheço Dorian Vega.
Ele só respira assim quando está tentando não quebrar o mundo ao redor.
Abro os olhos devagar. A luz me fere como se fosse faca. Pisco. Tento me mover. Não consigo.
Um gemido escapa. Baixo.