LARA
A manhã chega com um peso nos ombros. Estou nessa casa há dois dias e já me entreguei mais do que prometi a mim mesma que faria. Tenho um gosto metálico na boca.
Não é ressaca. É o sabor amargo de uma noite mal dormida, de pensamentos que rodaram em círculos até me deixar zonza. Me virei tantas vezes na cama que quase redesenhei os lençóis.
Levanto sem me espreguiçar. Sem preguiça. Só exausta.
Coloco um robe de seda por cima da camisola preta e prendo o cabelo em um coque frouxo. No espelh