Mundo de ficçãoIniciar sessãoLorena acreditava viver um casamento perfeito. Esposa de um CEO poderoso, ela abriu mão da própria carreira, dos amigos e até dos sonhos para ser a mulher ideal. Confiava cegamente no homem que dizia amá-la acima de tudo. Até o dia em que, por acaso, no corredor de um hospital, descobre a verdade mais cruel: seu marido teve um filho com outra mulher. E pior — planejava obrigá-la a aceitar a criança como compensação por ela não poder engravidar. Humilhada. Substituída. Descartada. Sem acesso ao próprio dinheiro, perseguida pelo homem que jurou protegê-la e presa a uma família que nunca a aceitou, Lorena percebe que o que chamava de amor era, na verdade, controle. Ela foge. Mas o homem que perdeu não está disposto a deixá-la ir. Quando tudo parece perdido, Lorena cruza o caminho do único homem capaz de enfrentar seu ex-marido: um CEO frio, implacável… e odiado por ele. Um casamento inesperado surge como única saída. E como a vingança perfeita. Agora, em meio a segredos, obsessão e uma guerra silenciosa entre dois impérios, Lorena terá que decidir: Até onde está disposta a ir para se libertar? E o que acontece quando a vingança começa a se transformar em amor?
Ler maisLorena nunca gostou de hospitais.
O cheiro de antissépticos sempre a fazia lembrar de coisas que preferia enterrar no fundo da memória. Ainda assim, naquela manhã, a dor em seu estômago era forte demais para ser ignorada - ardida, persistente, como se algo dentro dela estivesse sendo lentamente corroído.Ela não contou ao marido, Rafael Menezes, que viria ao hospital.
Não queria preocupá-lo.
Sabia exatamente como ele reagiria. Para qualquer dorzinha sua, Rafael mobilizava médicos, especialistas, exames caros demais, olhares atentos demais. Fazia questão de mostrar que nada no mundo era mais importante do que o bem-estar dela.Lorena sorriu sozinha ao pensar nisso.
Ele sempre cuida de mim, pensou.
Desde que se mudara para a casa da sogra, três meses atrás, seu estômago não era mais o mesmo. A comida parecia pesar mais, as noites eram mal dormidas, e aquela dor insistente tinha se tornado parte da rotina. Ainda assim, ela preferiu ir sozinha. Era só um desconforto. Nada que justificasse um alvoroço.
Sentada na sala de espera, segurava a bolsa contra o colo como se aquilo lhe desse alguma estabilidade. Observava o movimento do hospital, as pessoas passando apressadas, e tentava se convencer de que sua vida estava exatamente onde deveria estar.
Um casamento sólido.
Um marido atencioso.Uma família que, apesar das diferenças, ela aprenderia a conquistar.Ela respirou fundo quando a dor voltou a apertar.
Levantou-se devagar, decidida a procurar o banheiro antes de ser chamada.
Foi então que ela os viu.
No corredor em frente ao setor de exames, Rafael Menezes estava parado, impecável como sempre, o terno caro moldando o corpo alto, o cabelo perfeitamente alinhado. Ao lado dele, Nina Alves - a viúva do irmão - segurava sua mão.
Mas não era apenas a mão.
A outra mão de Rafael repousava sobre a barriga levemente saliente de Nina, em um gesto íntimo demais, cuidadoso demais… familiar demais.
Lorena parou.
O mundo pareceu desacelerar, como se alguém tivesse diminuído o volume da realidade. As vozes ao redor ficaram distantes, abafadas, enquanto seus olhos se fixavam naquela cena que não fazia sentido.
Nina sorria. Um sorriso suave, quase tímido.
Seu marido se inclinava em sua direção, a testa encostando de leve na dela.- Você tem certeza que ela vai aceitar? - a voz de Nina saiu baixa, preocupada demais para ser verdadeira. - Quando descobrir… que o bebê é seu.
Lorena sentiu o coração tropeçar dentro do peito.
Rafael não hesitou.
- Vai - respondeu, com segurança. - A Lorena ama crianças. Sempre amou.
Ele apertou de leve a mão sobre a barriga de Nina, num gesto possessivo.
- No começo ela pode ficar chateada - continuou - é natural. Mas vendo a criança… tudo muda.
Nina abaixou os olhos, fingindo hesitação.
- E se ela não conseguir? Quero dizer… deve ser difícil pra ela… por não poder ter filhos.
A mão de Rafael fez um carinho lento no ventre de Nina.
- Isso é justamente o motivo - disse, com uma calma que doeu mais do que qualquer grito. - Esse bebê vai ser uma compensação.
Compensação.
- Um filho meu - ele completou - é algo que ela vai acabar aceitando. Ela me ama demais.
Nina suspirou, como se aliviada.
- Então… você acha que ela vai se apegar?
- Vai - Rafael afirmou, convicto. - Não tem escolha. Uma mulher como a Lorena… quando segura um bebê no colo, ainda mais um filho meu, acaba se rendendo.
O estômago de Lorena se contraiu violentamente.
- Rafael… - a voz de Lorena escapou fraca, quebrada, quase irreconhecível até para si mesma.
Ele se virou.
Por um segundo - apenas um - o rosto dele se transformou. O controle caiu. Os olhos se arregalaram, a mão ainda presa à barriga de Nina, como se o corpo tivesse esquecido de obedecer ao cérebro.
Depois, a máscara voltou ao lugar.
- Lorena… - disse ele, baixo, tenso.
Nina também se virou, levando instintivamente a mão ao ventre, em um gesto de proteção que atravessou Lorena como uma lâmina.
- O que está acontecendo aqui? - Lorena perguntou.
Ela não gritou.
Não chorou.Mas havia algo perigoso em sua calma.Rafael respirou fundo, como alguém que se prepara para dar uma notícia inconveniente, não devastadora.
- Não era assim que você devia descobrir.
O coração de Lorena bateu tão forte que doeu.
- Descobrir o quê?
Nina abaixou o olhar, desempenhando o papel com perfeição.
- Lorena… eu sinto muito - murmurou ela.
A mão de Rafael apertou de leve a de Nina.
E então ele disse, com a mesma frieza que usava para fechar contratos milionários:
- O bebê que Nina espera é meu.
O chão pareceu desaparecer sob os pés de Lorena.
O som de um carrinho de medicamentos passando atrás dela a fez estremecer, mas ela não desviou o olhar de Rafael. Não piscou. Não respirou direito.
- Como? - foi tudo o que conseguiu perguntar.
Rafael suspirou.
- Não houve traição, se é isso que você está pensando. Foi fertilização in vitro. Nina precisava de segurança. A família precisava de um herdeiro.
Lorena sentiu o estômago se revirar.
- E eu? - sussurrou.
Ele a encarou como se a resposta fosse óbvia demais para precisar ser explicada.
- Você tem que me entender - disse ele. - Você não pode ter filhos. Sempre disse que amava crianças. Essa é a solução perfeita.
Perfeita.
Lorena sentiu o gosto amargo subir pela garganta.
- Você fez isso sem me contar.
- Fiz isso por nós - Rafael respondeu, firme.
Foi naquele instante, no meio de um corredor de hospital, entre o cheiro de álcool e o som distante de monitores cardíacos, que Lorena entendeu:
O homem à sua frente não era mais o marido que jurou amá-la.
Era alguém que havia decidido o futuro dela… sem perguntar.E ele não esperava ouvir um não.
O corredor do hospital era um túnel branco e silencioso.Dante estava sentado em uma das cadeiras encostadas na parede, os cotovelos apoiados nos joelhos e as mãos entrelaçadas diante do rosto.A camisa continuava manchada de sangue.Sangue de Lorena.Ele não havia trocado de roupa.Não tinha conseguido.Desde que a ambulância chegara ao hospital, sentia como se qualquer passo para longe dela fosse uma traição.Os médicos o haviam retirado da sala de emergência.- O senhor precisa esperar aqui.Ele não discutiu.Não tinha forças para isso.Sentou-se.E esperou.Os minutos passaram devagar.Lentos demais.Cada vez que uma porta se abria, seu coração disparava.Cada vez que um médico atravessava o corredor, ele se levantava antes de perceber.Nenhum deles vinha falar com ele.Nenhum deles trazia notícias de Lorena.Theo chegou primeiro.- Dante.Ele ergueu os olhos.Theo parou diante dele.Pela primeira vez em muitos anos, parecia não saber o que dizer.- Os médicos falaram alguma coisa
Rafael viu Lorena se mover.O que aconteceu depois não durou mais do que alguns segundos.Ainda assim, sua mente registrou cada instante como se o mundo inteiro tivesse entrado em câmera lenta.Inicialmente, não entendeu.O cérebro simplesmente se recusou a aceitar o que os olhos mostravam.Ela correu.Não para ele.Não para se salvar.Não para fugir.Correu para Dante.Os cabelos voaram atrás dela. Os pés bateram contra o asfalto. O vestido se agitou ao redor do corpo enquanto ela atravessava a distância que os separava.E então ela o empurrou.Com toda a força que tinha.Sem hesitar.Sem pensar.Protegendo-o.Escolhendo-o.O mundo pareceu desacelerar.Rafael viu os dedos dela se fecharem no paletó de Dante.Viu o corpo dele ser lançado para o lado.Viu o instante exato em que ela ocupou o lugar que deveria ser dele.Então o impacto aconteceu.O corpo de Lorena foi lançado contra o capô.O som ecoou pela rua como uma explosão.Depois ela desapareceu da frente do carro.Atirada contra
Lorena não pensou.O corpo se moveu antes do cérebro, os braços se estendendo, os dedos fechando no tecido do paletó de Dante com uma força que ela nem sabia que tinha.Ela empurrou.Ele foi jogado para o lado.O impacto foi seco.O som do metal contra o corpo ecoou pela rua silenciosa antes mesmo que Lorena entendesse o que havia acontecido. Ela sentiu primeiro o choque - uma pancada surda no quadril, na perna, no ombro. Depois o atrito brutal do asfalto contra a pele, rasgando a roupa, raspando a carne. Depois o frio.O frio do chão.O frio do sangue que começava a escorrer.Ela não viu o carro se afastar. Não viu a placa. Não viu o rosto de quem estava dirigindo.Só viu o céu.O céu se vestia de azul escuro, aquele azul que vem antes do preto total, quando o dia já desistiu de lutar e a noite ainda não começou de verdade, e, na periferia da visão, a silhueta de Dante se levantando do chão onde ele havia caído.- Lorena!O grito dele foi a última coisa que ela ouviu antes do escuro.
O voo de Dante aterrissou no fim da tarde.Lorena estava no saguão de desembarque quando ele apareceu. Esperou que o rosto dele iluminasse ao vê-la como acontecia antes. Que os olhos cansados encontrassem os dela e, por um segundo, o cansaço desaparecesse.Não foi o que aconteceu.Dante a viu. Seus olhos passaram por ela como se ela fosse parte da paisagem. O rosto fechado, a expressão dura, os ombros tensos.- Oi - ela disse, aproximando-se.- Oi.Não a beijou. Não tocou seu rosto. Não segurou sua mão.Apenas passou direto, em direção à saída.Lorena sentiu o gelo.No carro, o silêncio era insuportável.Dante não olhava para ela. Os olhos fixos na estrada, as mãos no volante, a mandíbula travada. Lorena tentou puxar conversa.- Como foi a viagem?- Bem.- Conseguiu fechar os contratos?- Sim.Uma pausa.- Senti sua falta.Ele não respondeu.O aperto no peito de Lorena ficou mais forte.- Dante… o que está acontecendo?- Nada.- Você está estranho.- Estou cansado.- Não é só cansaço.
Último capítulo