Há homens que pedem desculpas por existir.
E há homens que aprendem a ocupar o lugar certo — sem pisar em ninguém.
Guilherme estava virando esse segundo tipo.
Depois daquela noite entre nós, ele mudou de um jeito silencioso.
Não falava em “talvez”.
Não andava mais curvado por culpa.
Aproveitava o café da manhã com as crianças, ligava da empresa para saber do dever, ajudava Pedro a aprender a amarrar o tênis, ouvia Sofia sem interromper.
E — pela primeira vez — ele me incluía nas decisões, não apenas nas tarefas.
Era novo.
E dava segurança.
Mas Bárbara não desistiu.
Na sexta-feira, Sofia tinha apresentação na escola.
Uma coisa simples — leitura de poesias, cartazes, crianças tímidas.
Fomos todos: eu, Guilherme e Pedro.
Na entrada, vi flashes. Fotógrafos. Sussurros.
Meu corpo enrijeceu.
— Fica tranquila — ele disse, baixinho. — Eu estou aqui.
Entramos.
Cinco minutos depois, ela apareceu.
Vestido impecável. Sorriso de capa de revista. E a barriga?
Nada. Só a mão apoiada de propósito — co