A vida, às vezes, muda não com explosões — mas com pequenos gestos repetidos.
Foi assim que aconteceu.
Primeiro, Guilherme começou a me esperar na mesa do café, todos os dias.
Depois, passou a ligar quando ia demorar.
Mais tarde, passou a me contar coisas que antes guardava só para si.
Até que, numa noite simples, ele disse:
— Fica aqui.
Eu entendi.
Não era convite apressado. Era abrigo.
As crianças já estavam dormindo.
Eu hesitei por um segundo — não por medo… mas pelo peso da decisão.
— Você tem certeza? — perguntei.
Ele assentiu.
— Eu só durmo inteiro quando você está perto.
Não havia urgência.
Havia paz.
E eu fiquei.
No começo, achei que as crianças estranhariam.
Não estranharam.
Pedro apareceu no quarto no dia seguinte, de manhã, com o cabelo bagunçado e os olhos ainda sonolentos.
— Bom dia, papai… — olhou para mim, abriu um sorriso enorme — bom dia, mamãe.
O mundo parou — suave, não doloroso.
Eu engoli em seco.
Sofia girou na porta, alarmada:
— Pedro! Ela não é nossa mãe!
Ele fr