Há momentos que não gritam.
Eles sussurram — mas mudam tudo.
Depois da história da “gravidez”, a casa ficou em um estado estranho: não era caos, mas expectativa. Como se todo mundo esperasse um trovão que não vinha.
Eu tentava me manter focada nas crianças, na rotina, no cuidado.
Mas Guilherme… estava diferente.
Mais presente.
Mais atento aos próprios silêncios.
E, ao mesmo tempo, perigosamente próximo.
Numa noite de quarta, Pedro dormiu rápido.
Sofia demorou mais — pesadelos curtos, respiração curta.
Sentei na beira da cama.
— Estou aqui — disse.
Ela segurou meus dedos.
— Eu sonhei que alguém levava o Pedro e eu não conseguia correr.
— Sonho não manda — respondi. — A gente manda no sonho.
Ela respirou melhor.
Adormeceu.
Saí do quarto com cuidado — e dei de cara com Guilherme no corredor.
Ele estava encostado na parede, mãos nos bolsos, olhar cheio de alguma coisa que eu não sabia se queria decifrar.
— Ela está bem? — perguntou.
— Agora está.
Assentiu. Ficou um pouco em silêncio — com