Júlia demorou mais para acordar naquela manhã. O quarto estava silencioso, iluminado por uma claridade leve que entrava através das persianas, criando listras suaves sobre o chão e sobre sua pele. Mas, diferente dos dias anteriores, ela não abriu os olhos com calma.
Acordou com o coração acelerado.
E com um som na cabeça que parecia ecoar de muito longe:
Vidro… estilhaçando.
Um grito.
O cheiro forte de gasolina.
Ela sentou na cama num sobressalto, quase arrancando o curativo na testa. A respira