— Preciso… ver a Maria — consegui dizer, minha voz estrangulada. — Ela deve estar com fome.
Não olhei para trás. Caminhei em direção à casa, sentindo os olhos de todas cravados nas minhas costas, na minha silhueta sob o maiô com a saia godê manchada.
A passagem pelo hall era ampla e tinha um grande espelho decorativo. Não pude evitar.
Parei.
E olhei.
Olhei para o reflexo da mulher de cabelos desalinhados pelo vento, com a mancha branca na perna, o corpo envolto no tecido molhado que agora parecia um inimigo.
Meus olhos foram direto para as “imperfeições” que Sofia tinha destacado com tanta precisão maligna.
A curva mais cheia do abdômen, a linha escura, o decote do maiô que mostrava a pele mais flácida perto das axilas.
Eu tinha respondido ela, mas a minha própria insegurança com meu corpo era uma arma contra mim.
Uma onda de repulsa por mim mesma me inundou. Era isso que Alessandro via quando me olhava? Era nisso que ele tinha se agarrado com tanta fome na noite passada?
Um cor