Mundo ficciónIniciar sesiónEsse é um romance erótico sobre poder, vulnerabilidade, e o momento exacto em que deixamos de resistir, não à outra pessoa, mas a nós próprios. Quinn Mercer não escolheu Jace Harlow. O caso escolheu por ela. Advogada júnior num dos escritórios mais conceituados de Chigado, Quinn foi enviada para representar a Harlow Industries num processo de due diligence de rotina. Jace Harlow — CEO, inteligente, possessivo, e de uma presença que ocupa o ar de qualquer sala, não era suposto ser nada mais do que um cliente. Mas há coisas que os contratos não conseguem conter. O que começa como tensão profissional transforma-se rapidamente em algo sem nome e sem regras. Jace quer. Quinn também quer, e é exactamente isso que a assusta. Porque ela já conhece o que é amar alguém que usa o poder como distância. Quando um segredo dentro da Harlow Industries a coloca entre a ética e o desejo, Quinn percebe que o maior risco nunca foi perder o emprego. Foi perceber que já não consegue imaginar a vida sem ele.
Leer másO email chegou às 7h14 de uma segunda-feira de novembro e eu li-o três vezes antes de acreditar no que estava a ver.
“Com efeito imediato, você atuará como associado principal na conta da Harlow Industries. Briefing às 9h. Sala de Conferências B. "— P. Aldridge Fiquei sentada na beira da cama com o telemóvel na mão e o coração a bater demasiado depressa para aquela hora. Lá fora, Chicago ainda estava escura, era típico de novembro, a escuridão que não cede facilmente, que se agarra às janelas como se não quisesse ir embora. O lago Michigan batia contra a cidade algures além dos prédios, invisível mas presente, como sempre. Harlow Industries. Eu. Associada líder. Não era suposto ser eu e eu sabia disso. Marcus Holt tinha cinco anos de vantagem sobre mim no escritório e usava-os como se fossem um título gravado em mármore, se exibia nos corredores, nas reuniões, no modo cuidadoso como deixava cair os seus anos de experiência em qualquer conversa onde sentisse que o seu território estava em causa. Sandra Yee almoçava com os sócios todas as sextas-feiras e tinha o dom específico de sorrir de um modo que fazia toda a gente sentir que era a pessoa mais importante na sala, o que é uma habilidade, genuinamente, mesmo que eu não a tivesse. E eu? Eu comia sanduíches na secretária. Sublinhava contratos com três cores diferentes porque uma não chegava para organizar o pensamento da forma que eu precisava. Ficava até às onze quando toda a gente já tinha ido embora, não por ambição performativa, mas porque era quando o escritório ficava suficientemente quieto para eu conseguir pensar com clareza. Não era o tipo de pessoa a quem se dava a conta do século. E Harlow Industries era exactamente isso: a conta do século. Fui ao duche com aquela sensação estranha no estômago, qualquer coisa entre o medo e a euforia que não era bem nenhum dos dois. Conhecia Jace Harlow de nome da mesma forma que toda a gente em Chicago o conhecia, não pessoalmente, não de conversas, mas de perfis em revistas de negócios, de rumores que circulavam no sector, de uma presença que se sentia mesmo à distância. Trinta e seis anos. Harvard. Herdou a Harlow Industries quando o pai morreu de ataque cardíaco durante uma reunião de conselho, na altura ele tinha vinte e oito anos e a empresa nas mãos e, pelo que toda a gente dizia, não piscou. Duplicou o volume de negócios em quatro anos através de uma combinação de aquisições estratégicas e uma frieza de decisão que fazia as pessoas usarem a palavra implacável com frequência suficiente para que deixasse de parecer um atributo exagerado. Pesquisei o nome três meses antes, quando o rumor de que Harlow estava a considerar mudar de representação jurídica começou a circular nos corredores do vigésimo segundo andar. Encontrei o que toda a gente encontrava: perfis em publicações de negócios, fotografias de eventos de gala, uma entrevista curta ao Chicago Tribune onde ele dizia exactamente o suficiente para parecer acessível sem revelar absolutamente nada sobre o que fosse pessoal. Nas fotografias era alto, de ombros largos, com uma postura que não era arrogante, mas era completamente consciente de si mesma. O tipo de homem que ocupa o espaço que precisa sem pedir licença, sem se desculpar por isso. O tipo de homem que nas fotografias parece estar a tolerar a câmara em vez de posar para ela. Saí do duche e fui ao roupeiro com a mente já a organizar o que sabia. Due diligence (fazer o dever de casa sobre o assunto, verificação prévia), provavelmente, Harlow Industries estava em expansão e havia rumores de uma aquisição em curso no Midwest. Seis semanas de trabalho intenso, reuniões regulares, acesso directo ao cliente. Era uma oportunidade real. Era também, claramente, um teste, Philip Aldridge não fazia nada sem razão, e a razão para me escolher a mim em vez de Marcus ou Sandra era algo que eu ia ter de descobrir enquanto trabalhava. Vesti o fato azul-escuro, o mais sério que tinha, o que dizia sou competente sem dizer estou a tentar parecer competente, que era uma distinção importante. A blusa cor de creme que a Dana insistia que me ficava bem. Os saltos Scarpin que me punham nos cinco e oito e que eu só calçava quando precisava de sentir que ocupava espaço maior do que realmente ocupava. Eu devia brilhar. Olhei-me ao espelho da entrada antes de sair. Havia uma voz na minha cabeça, uma voz que tinha o timbre específico de Daniel Pryce, o meu ex-namorado de dois anos que eu tinha deixado há dezoito meses e que mesmo assim persistia em aparecer nos momentos mais inconvenientes, mas talvez seja porque ele me disse: és demasiado nova para isto. Vão perceber que não sabes o suficiente. Vais cometer um erro. Respirei fundo. Peguei na pasta. Saí. Eu ignorar essa voz hoje porque Daniel não estava certo. Tinha estado certo sobre algumas coisas, ao longo dos dois anos em que eu o deixei moldar a forma como eu me via, mas sobre isto não estava certo. Eu sabia o que sabia. Tinha passado três anos a aprender com toda a atenção que tinha. E se havia algo em que eu era consistentemente boa era em preparar-me. Tinha noventa minutos. Usei-os todos em revisão. O alinhamento inicial com Philip Aldridge foi curto e cirúrgico, como tudo o que ele fazia. Due diligence para uma aquisição. Prazo de seis semanas. Reunião inicial com o cliente no próprio escritório deles, amanhã de tarde. Eu, representando o escritório. Sozinha, sem Marcus à minha sombra como salvaguarda visível, sem Sandra ao meu lado como amortecedor social. — Alguma questão? — perguntou Aldridge, já a fechar a pasta. Tinha mil questões, mas não fiz nenhuma. As perguntas que importavam não se faziam ao sócio sénior numa sala de conferências, respondiam-se no trabalho com a prática. Quando saí, Marcus Holt estava no corredor com um copo de café e aquele olhar de quem já sabe. Viu-me, percebeu a situação em menos de um segundo, e o sorriso que lhe apareceu na boca não era de felicitações. — Boa sorte — disse ele. O tom dizia: vais precisar. — Obrigada Holt, isso faz muita diferença. Revirei os olhos, fui à minha secretária, abri o dossier de Harlow Industries que tinha compilado ao longo dos últimos meses, e passei as oito horas seguintes a preparar-me com a concentração de quem sabe que não há segunda hipótese para uma primeira impressão. Li tudo o que havia. Fiz perguntas que ele provavelmente ia fazer e preparei as respostas. Antecipei os pontos difíceis. Às sete da tarde fechei o dossier e fui a casa. Sentei-me no sofá do meu apartamento T1 em Wicker Park com os sapatos ainda calçados e fiquei a olhar para a janela sem ver nada de específico. Amanhã às três da tarde ia entrar no escritório de Jace Harlow e defender a minha posição como se tivesse todo o direito de estar ali. E tinha. Disso eu tinha quase a certeza. Quase.Três Anos Depois QUINN Há uma fotografia no meu escritório, não a que a empresa tirou para o site, com o fato formal e o sorriso que a fotógrafa pediu que fosse confiante mas acessível, que é uma instrução impossível e que resultou numa expressão que a Dana descreveu como "uma advogada a pensar em pizza". Essa ficou na gaveta. A fotografia que está no escritório foi tirada pela Dana num sábado de Outubro, no tecto do edifício da Harlow Industries, três anos atrás menos dois meses. Eu estou de costas para a câmara a olhar para o lago. Jace está ao meu lado com o braço nos meus ombros e está a olhar para mim em vez de para o lago, o modo como ele olha quando não sabe que está a ser visto, que é diferente do modo quando sabe. A Dana enviou-ma sem aviso, com a mensagem: achei que devias ter isto. Sem mais explicação. Era a Dana, nunca precisava de mais explicação. Pus-a no escritório porque era honesta. Porque capturava algo que as fotografias formais não capturam: dois pessoas
QUINN Há uma pergunta que a Dana me faz às vezes, nas sextas-feiras com o vinho, com o tom de quem faz a pergunta de verdade e não por hábito: como estás, mesmo? A resposta que eu dou é sempre a mesma, não porque seja a resposta conveniente mas porque é a resposta verdadeira: bem. Estou bem. Não no sentido de que tudo é simples, há complicações, há os dias em que o trabalho é demasiado e as noites em que eu fico acordada a pensar em demasiadas coisas ao mesmo tempo, há os momentos em que Jace e eu temos de navegar a diferença entre o modo como eu preciso de comunicar e o modo como ele está habituado a gerir. São coisas reais que existem em tudo o que é real. Mas bem no sentido de que eu estou no sítio certo. De que as escolhas que fiz foram minhas, tomadas com os olhos abertos, com toda a informação disponível, sem me enganar sobre o que eram e o que não eram. De que a pessoa que eu sou agora é mais completa do que a pessoa que eu era quando entrei pela primeira vez na sala de
Em Março aconteceu algo que eu não esperava: começou a parecer normal. Não no sentido de monótono, no sentido de que havia uma continuidade entre os dias que não exigia gestão constante. Havia o trabalho, que era bom e exigente e satisfatório de formas que eu não tinha tido nos três anos anteriores como associada. Havia Jace, que aparecia nas noites em que aparecia com a naturalidade de algo que existe em vez de algo que se constrói activamente. Havia a Dana com o vinho das sextas-feiras e as conversas que iam para onde iam. Havia o piano, mal tocado com dedicação, às noites em que precisava de ser completamente má em algo sem consequências. Era uma vida. Uma vida com as texturas e as camadas que as vidas reais têm, sem a idealização das coisas novas e sem o peso das coisas difíceis que ainda estavam frescas. Num domingo de Março eu estava a ler no sofá quando Jace chegou com sacos de compras — ele tinha ido ao mercado, o que era informação nova sobre ele: que ia ao mercado ao d
Em Fevereiro aprendi coisas sobre Jace Harlow que as reuniões de negócios não revelam. Aprendi que ele acordava invariavelmente às cinco e trinta e seis, que era o momento exacto em que o seu sono transitava para superficial e que o corpo tratava sozinho, sem alarme. Que o café da manhã era sempre o mesmo, preto, sem açúcar, duas chávenas, a segunda mais lenta do que a primeira. Que havia um livro na mesa de cabeceira que estava a ler há três meses porque só lia à noite e muitas das suas noites acabavam a trabalhar em vez de a ler. Aprendi que ele tinha uma relação estranha com o silêncio: confortável nele de formas que a maioria das pessoas não é, capaz de ficar quarenta minutos num espaço sem falar sem que isso fosse ausência, era presença de outro tipo, o silêncio de alguém que está a pensar de verdade em vez de a preencher o espaço. Aprendi que quando algo o preocupava de verdade ele tamborilava uma vez com os dedos na mesa ou na coxa, uma vez, só uma, e depois parava. Era o
Último capítulo