Adeus traidor! Meu Marido Agora Vale Bilhões
Adeus traidor! Meu Marido Agora Vale Bilhões
Por: Meiry Oliveira
Capítulo 1: Traída e desprezada

GRACE REED

O cheiro de hospital nunca me incomodou. Para a maioria das pessoas, era o cheiro da doença, da dor, do final inevitável. Para mim, era o perfume da conquista. Eu tinha lutado com unhas e dentes, estudando enquanto outros dormiam, trabalhando em dois empregos para pagar a faculdade de medicina, tudo para estar exatamente onde estava agora.

Eu estava me preparando para emendar mais um turno quando Brenda, uma colega residente, começou a gritar por mim.

— Estou aqui!

— Grace? — Ela me encontrou entre os armários e juntou as mãos como pedido. — Sei que você vai dobrar, mas queria te pedir um favor imenso.

— Diga, Brenda.

— Eu tenho um compromisso inadiável amanhã de manhã, com a escola do meu filho. Você poderia trocar comigo? Você pega meu turno amanhã e eu fico com o seu de hoje.

— Tudo bem — disse eu, com um sorriso cansado. — Eu cubro você amanhã.

— Sério? — Os olhos dela se arregalaram.

— Sim. Vou aproveitar e fazer uma surpresa para o Derek.

— Você é um anjo, Grace! Um anjo!

Enquanto ela saía correndo, eu me permiti sorrir. Uma troca de turno. Isso significava que eu estava livre agora.

A fadiga desapareceu de imediato. Peguei minha bolsa e saí para o ar fresco da tarde. Em vez de ir para casa dormir, dirigi direto para o mercado gourmet do centro.

Eu queria mimá-los. Estávamos todos muito ocupados ultimamente. Eu, com as cirurgias de emergência, Derek, com os contratos da agência, e Jéssica, minha melhor amiga que se mudara para o nosso quarto de hóspedes há seis meses após perder o emprego. Quase não nos víamos, apesar de dividirmos o mesmo teto.

Comprei bifes. Peguei duas garrafas de um Cabernet Sauvignon envelhecido que Derek adorava e uma torta de limão que era a favorita de Jéssica.

— Vai ser uma noite perfeita — murmurei para mim mesma enquanto o caixa passava os itens. O valor total foi alto, mas não me importei. O dinheiro servia para isso, não é?

Dirigi até nosso prédio com o rádio ligado, cantando baixinho.

Subi animada, pronta para gritar "Surpresa!", mas as palavras morreram na minha garganta antes de nascerem ao ouvir os ruídos abafados e rítmicos.

Franzi a testa e deixei as sacolas no chão da entrada, sem fazer barulho.

Encontrei roupas e sapatos no caminho do corredor. Meu estômago deu um nó frio e apertado.

— Isso... mais forte, Derek, meu Deus...

Cheguei na porta da sala de estar, que estava entreaberta.

Eu olhei.

E o que vi queimou minhas retinas para sempre.

Derek estava por cima dela. As costas dele, que eu conhecia tão bem, cada sarda, cada músculo, se contraíam com o esforço. Jéssica estava embaixo dele, as pernas envolvendo a cintura do meu namorado, a cabeça jogada para trás, os cabelos loiros espalhados pelo estofado.

Eles estavam em um frenesi. Havia uma conexão perversa na forma como as mãos dele seguravam os quadris dela, na forma como ela arranhava as costas dele, que me dizia que aquela não era a primeira vez. Nem a segunda.

Como médica, eu estava acostumada a reagir rápido. Mas ver o homem que eu amava penetrando minha melhor amiga foi um golpe que me deixou zonza.

Abri a porta em automático e o movimento no sofá parou instantaneamente.

Derek virou a cabeça, os olhos arregalados, o rosto vermelho de esforço e prazer transformando-se em choque. Jéssica empurrou o peito dele e se cobriu com uma almofada, soltando um grito agudo e ridículo.

— Grace? — A voz de Derek saiu rouca. — O que você está fazendo aqui? Você não tinha plantão?

A audácia da pergunta me tirou o ar.

— O que eu estou fazendo aqui? — Olhei para as sacolas na entrada. — Eu vim fazer uma surpresa. Um jantar.

Jéssica começou a chorar.

— Grace, amiga, por favor, não é o que você está pensando... — ela balbuciou, tentando puxar o vestido para cobrir os seios.

— Não é o que eu estou pensando? — Eu ri. Devo parecer muito burra pra ela, né? — Vocês estão nus no meu sofá. O pau do meu namorado ainda está... — Apontei, sentindo a bile subir na garganta. — Não insulte a minha inteligência, Jéssica. Eu pago o teto sobre a sua cabeça!

Derek finalmente se levantou, vestindo a calça às pressas. Mas em vez de cair de joelhos e pedir perdão, a expressão dele endureceu.

— Sabe de uma coisa, Grace? Talvez se você estivesse em casa mais vezes, isso não tivesse acontecido — disparou ele.

— O quê? — Recuei um passo, surpresa com o ataque repentino.

— Você é fria — continuou ele, ganhando confiança na própria canalhice. — Você vive naquele hospital. Você chega em casa cheirando a morte, cansada demais para me tocar. A Jéssica... ela está sempre aqui. Ela me escuta. Ela me admira. Ela é uma mulher de verdade.

— Eu trabalhava para sustentar nós três! — gritei, as lágrimas finalmente transbordando, quentes e dolorosas. — Eu pago a comida que essa você e vadia comem!

— E você nunca nos deixa esquecer disso, não é? — Ele zombou. — A grande e bondosa Dra. Reed. Mas adivinha? Não preciso da sua caridade.

Olhei para Jéssica, esperando que pelo menos ela dissesse que ele estava louco já que quem a sustentava era eu. Mas ela apenas desviou o olhar, murmurando:

— Ele se sentia sozinho, Grace. A gente se apaixonou. Aconteceu.

Eu olhei para os dois. Duas pessoas que eu amava tanto. E de repente, pareciam estranhos.

— Saiam daqui — sussurrei.

— O apartamento está no meu nome também, Grace — Derek disse, com um sorriso cruel. — Na verdade, acho que você deveria sair. Você está histérica. Não dá para conversar com você assim.

— Quer saber... Eu estou cansada demais pra discutir. — Saí do apartamento deixando a porta aberta.

Cheguei à calçada, o ar frio bateu no meu rosto molhado.

Eu não sabia para onde ir.

Foi quando meu celular tocou no bolso.

Limpei o rosto com as costas da mão, tremendo. Olhei para a tela. "Hospital Geral NY - Administração".

Atendi, tentando firmar a voz.

— Dra. Reed falando.

— Dra. Grace Reed? Aqui é Richard, do departamento jurídico e de ética do hospital.

Franzi a testa. Jurídico?

— Sim, Richard. Aconteceu alguma coisa?

— Dra. Reed, estou ligando para informar que você está suspensa de todas as suas funções médicas, com efeito imediato. Não apareça para o seu próximo turno.

— O quê? Do que você está falando?

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