Mundo de ficçãoIniciar sessãoGRACE REED
Olhei para o anel dentro da caixa de veludo. Aquele diamante valia mais do que todos os anos de salário que eu perderia se fosse demitida. Pensei em Derek e no sorriso cruel dele enquanto me expulsava do apartamento que eu pagava metade. Pensei em Brenda, minha "amiga", colocando drogas no meu armário para salvar a própria pele ou apenas por pura maldade. Pensei na minha família, que só me via como um talão de cheques ambulante. O mundo tinha sido cruel com a minha bondade. Talvez fosse hora de parar de ser boa e aceitar ser a intocável "Sra. Thorne". Ergui o olhar para Dominic que não parecia ansioso, ele estava certo da vitória e eu não iria contra suas expectativas. — Sim. Eu aceito. Dominic não sorriu abertamente, mas houve um brilho de triunfo naqueles olhos escuros. Sem dizer uma palavra, ele tirou o anel da caixa. Estendi minha mão esquerda e ele segurou meus dedos com firmeza, deslizando o anel. Passou pela articulação sem nenhum esforço e pousou na base do meu dedo como se tivesse sido moldado especificamente para a minha anatomia. — Perfeito. — ele murmurou, ainda segurando minha mão, observando a joia. — Agora, devo cumprir minha parte do acordo. Ele soltou minha mão e pressionou um botão no interfone da mesa. — Sra. Potts, mande o chefe de segurança e a Diretora de RH virem para a minha sala. — Imediatamente, Sr. Thorne. A porta se abriu segundos depois. Um homem corpulento de uniforme e uma mulher de meia-idade com cara de poucos amigos entraram. — Sr. Thorne? — a mulher do RH perguntou. — Sente-se, Vivian. Você também, Jorge. Dominic nem se levantou, apenas girou o monitor do computador novamente. — Jorge, eu revisei as filmagens de segurança do corredor do dispensário. Vocês alegaram um ponto cego, correto? — Sim, senhor. A câmera 4 estava inoperante — o segurança respondeu. — Curioso. Porque eu acessei o servidor de backup da nuvem e a câmera 4 gravou perfeitamente. Parece que alguém tentou deletar o arquivo local, mas esqueceu que nosso sistema é espelhado. Dominic clicou em um arquivo. Na tela, com uma clareza em alta definição, apareceu Brenda. Ela olhava para os lados, digitava algo no teclado — minha senha, que ela devia ter decorado ao me ver digitar mil vezes — e enchia o armário com frascos. Senti um alívio tão grande que minhas pernas amoleceram. — Vivian. Quero a Dra. Brenda demitida por justa causa imediatamente. Notifique o conselho de medicina e a polícia. Entregue essas imagens como prova. — Sim, Sr. Thorne! Imediatamente! — A mulher anotou furiosamente em seu tablet. — E quanto à Dra. Reed? O processo de suspensão... Dominic se levantou, contornou a mesa e parou ao lado da minha cadeira. Ele colocou uma mão possessiva no meu ombro. Era uma mensagem clara para todos na sala: ela é minha. — A Dra. Reed é a vítima aqui. Quero um pedido formal de desculpas do hospital enviado a ela por escrito. E, a propósito... gostaria de informar que a Dra. Reed em breve será a Sra. Thorne. Qualquer desrespeito a ela será considerado um desrespeito a mim. Fui claro? — Cristalino, senhor. Parabéns... Parabéns aos noivos. Eles saíram da sala tropeçando nos próprios pés. Assim que a porta se fechou, soltei o ar que prendia. — Você resolveu tudo em dois minutos... — Falei desacreditada. — Isso é o que o poder faz, Grace — Dominic disse, retirando a mão do meu ombro. — E agora você tem uma fatia dele. Tenho uma reunião com acionistas em dez minutos. Vou pedir para meu motorista te levar. — Me levar? Para onde? — Para a minha cobertura. Onde você mora agora. — Espere um pouco. Eu não posso simplesmente ir para a sua casa com a roupa do corpo. Eu preciso buscar minhas coisas. Meus livros, minhas roupas, documentos... tudo está no meu antigo apartamento. Dominic franziu a testa, parecendo incomodado com a inconveniência. — Compre tudo novo. Eu te dou um cartão sem limite. — Não é questão de dinheiro, Dominic. São as minhas coisas. Minha vida está naquelas caixas. E... — cerrei os punhos. — Eu não vou dar para aqueles traidores a satisfação de ficarem com nada que é meu. — Traidores? — Longa história. — Hum, tudo bem. Mas seja rápida. Mandarei o endereço da cobertura para o seu celular. Te vejo à noite no jantar. Se não estiver em casa à noite, precisará lidar com as consequências. — Ele sorriu com malícia. — Que consequências? — Engoli em seco. — Se não me desobedecer, não vai precisar descobrir, Dra. Reed. — Dominic abriu a porta e me indicou a saída. — Esteja em casa às sete, se não quiser ser severamente punida.






