Mundo de ficçãoIniciar sessãoDOMINIC THORNE
Confesso que quando vi Grace cruzar a porta me surpreendi, mas isso só me dava mais uma razão para fazer a ela a proposta que pretendia fazer antes dela fugir esta manhã. Observei o choque paralisar o rosto dela. Grace me olhava como se eu tivesse acabado de anunciar que era um alienígena, e não que queria me casar com ela. Para ela, aquilo podia parecer loucura. Para mim, era apenas a jogada mais eficiente que fiz nos últimos anos. Se ela é tão esperta quanto acho que é, ela vai aceitar. O que teria a perder se casando comigo? Aos trinta e dois anos, estou no auge da minha forma física. Meus 1,86m de altura exigem que meus ternos sejam feitos sob medida para acomodar a largura dos meus ombros e os músculos que mantenho com treinos pesados de boxe todas as manhãs. Eu uso minha aparência como uma arma, tanto nos negócios quanto com as mulheres. E na noite passada eu vi, que Grace não era imune. Ela seria perfeita para resolver meu maior problema no momento: minha avó, Eleanor Thorne. A matriarca da família estava segurando a segunda metade da minha herança bilionária e o controle total do conglomerado médico. A condição dela era arcaica: para assumir o poder completamente, eu precisava deixar de ser o "playboy irresponsável" e me tornar um "homem de família". Ela ameaçou passar o controle para meu primo, um idiota que não sabe diferenciar um bisturi de uma faca de manteiga, só porque ele é casado e tem dois filhos. Eu precisava de uma esposa. E rápido. Meus olhos voltaram para Grace Reed. Analisei-a com cuidado. Ela era bonita, mas de uma forma elegante, não vulgar. Era médica, o que agradaria imensamente a velha Eleanor, que valorizava o intelecto e o status. E o mais importante: ela estava desesperada. Grace estava encurralada. Sem emprego, sem apoio, com a reputação na lama. Pessoas desesperadas são leais a quem as salva. Além disso, havia o fator bônus. A química entre nós era muito boa. Se eu vou ser forçado a um casamento de fachada por um ano, que seja com alguém que eu tenha prazer em levar para a cama. Isso evitaria que eu procurasse diversão fora de casa e gerasse escândalos. Ela era perfeita. Minha candidata ideal caiu de bandeja diante de mim. — Você está falando sério? — A voz dela quebrou meu raciocínio. — Nunca falei tão sério, Grace. — Inclinei-me para frente. — Vamos colocar as cartas na mesa. Eu tenho um problema com minha herança e isso exige que eu me case. Você também tem um problema já que sua vida virou um inferno e você está prestes a perder sua licença médica. — Sua herança é a razão então? — Acho que terei que ser mais óbvio. — Eu não estou procurando amor, Grace — continuei, sendo brutalmente honesto. — Estou procurando uma parceira de negócios. O contrato é simples e durará um ano. Durante doze meses, você será a Sra. Thorne. Você vai sorrir em jantares beneficentes, vai segurar meu braço em eventos e vai me ajudar a convencer minha avó de que estamos apaixonados. — Você faz parecer tão fácil... — ela sussurrou. — É fácil. Se assinar, eu demito a Brenda e exponho a armação dela hoje mesmo. Sua licença continua intacta. Garanto que só terá ganhos. Vi a dúvida e o medo nos olhos dela. Ela era orgulhosa. Mas seu orgulho não limparia sua ficha criminal. GRACE REED Minha cabeça girava. Casamento? Com um homem que conheci ontem? Isso era loucura. Era imoral. Era a proposta mais absurda que já ouvi. — Eu não posso... — comecei a dizer, pronta para me levantar e sair correndo. — Isso é ridículo. Não vou me vender por um emprego, Sr. Thorne. Eu posso provar minha inocência sozinha. Assim que terminei a frase, meu celular vibrou violentamente na bolsa. Ergui-o e olhei para a tela. Duas novas mensagens. A primeira era de Derek: "Jéssica não se sente confortável com suas coisas aqui. Busque até as 17h ou mandarei o porteiro jogar fora. E devolva a chave." Esse lixos, nojentos, traidores do caralho! Dá pra acreditar? A segunda mensagem era da minha mãe: "Consegui adiar o prazo da agência até o meio-dia. Grace, não seja egoísta. A Ruby está chorando no quarto. Se você não transferir esse dinheiro agora, esqueça que tem mãe." Guardei o celular e olhei ao redor daquele escritório luxuoso. Lá fora, eu não tinha casa. Não tinha família. Não tinha dinheiro para manter advogados em um processo longo. Eu seria presa ou viveria com uma mancha eterna no currículo, trabalhando em subempregos para sobreviver, enquanto Derek e Jéssica riam no meu sofá e minha família me odiava. Aqui dentro, diante desse homem lindo e poderoso, eu tinha uma chance. Uma chance de ter poder e ser inocentada facilmente. Dominic observava cada micro expressão no meu rosto. Ele sabia. Ele viu o momento exato em que a minha esperança de resolver as coisas sozinha morreu. Ele não disse nada. Apenas abriu uma gaveta da mesa e de lá, ele tirou uma pequena caixa de veludo preto. — Eu mandei fazer isso semana passada — ele comentou casualmente. — Eu estava procurando a candidata ideal e decidi que essa mulher é você. Ele abriu a caixa. Um diamante solitário, enorme e límpido, brilhou sob as luzes do escritório. Era o anel mais bonito e ostensivo que eu já tinha visto. Um anel que diria para qualquer um: "Eu pertenço a alguém poderoso". Dominic parou na minha frente novamente. A imponência do corpo dele bloqueava a luz da janela, envolvendo-me em sua sombra. Ele estendeu a caixa aberta na minha direção. — Diga sim, Dra. Reed, e seus problemas acabam agora. Você sai daqui como minha noiva, com sua carreira salva e o mundo aos seus pés. — Ele fez uma pausa enquanto seus olhos escuros perfuravam os meus. — Diga não, e você sai por aquela porta sem emprego, sem casa e com um processo criminal nas costas. O que vai ser?






