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Capítulo 2: Você é uma egoísta e ingrata!

GRACE REED

— O quê? Do que você está falando? — Minha voz tremeu, o susto daquela informação competindo rapidamente com a dor do coração partido.

— Encontramos frascos de Oxicodona e Fentanil no seu armário pessoal, Dra. Reed. E os registros digitais mostram que eles foram retirados com a sua senha — Richard disse, com sua voz fria e burocrática.

— Isso é impossível! Eu nunca... Alguém deve ter pegado minha senha, alguém colocou isso lá! — gritei para o telefone, atraindo olhares de pedestres curiosos. — Richard, eu dedico minha vida a esse hospital!

— As provas são contundentes, Grace. Há imagens de segurança também. Não tente piorar a situação aparecendo no hospital. O conselho vai se reunir, mas sugiro que procure um advogado criminalista. Até logo.

A linha ficou muda.

Deixei o celular cair na bolsa, sem acreditar que tudo isso era real. Em menos de duas horas, perdi meu namorado, minha melhor amiga, minha casa e agora minha carreira.

Alguém tinha plantado aquilo. E a única pessoa com acesso fácil às minhas coisas no hospital, que sabia minha senha "porque somos amigas e não temos segredos", era Brenda. A mesma Brenda que me pediu para trocar o turno.

Uma armadilha? Tinha sido tudo uma armadilha cruel e perfeita. Mas por quê?

Eu precisava de um abraço. Precisava de alguém que me dissesse que tudo ficaria bem. Entrei no meu carro e dirigi até a casa dos meus pais, no subúrbio. Eles sempre foram exigentes, mas eram minha família. Eles me acolheriam.

Cheguei lá com o rosto inchado e a maquiagem borrada. Minha mãe abriu a porta e, antes que ela pudesse falar, entrei na sala desabando no sofá.

— Mãe... o Derek... ele me traiu com a Jéssica — solucei, as palavras saindo atropeladas. — E o hospital... me suspenderam, mãe. Disseram que roubei remédios. Minha vida acabou.

Minha mãe, sentada na poltrona com uma revista na mão, suspirou.

— Isso é ruim, Grace, muito chato mesmo — disse ela, como se eu só tivesse quebrado uma unha. — Mas precisamos falar de algo sério agora.

Levantei a cabeça, confusa, limpando as lágrimas.

— Sério? Mãe, eu acabei de dizer que perdi tudo! O que poderia ser mais sério que isso?

— A Ruby foi aceita na agência de modelos, Grace! — Ela sorriu, ignorando meu desespero. — É a grande chance da sua irmã. Mas o curso preparatório e o book custam cinco mil dólares. Você precisa transferir o dinheiro hoje. O prazo acaba amanhã.

Fiquei olhando para ela, paralisada.

— Você por acaso ouviu alguma coisa do que eu disse? — perguntei, desacreditada. — Eu fui suspensa. Não vou receber salário. Meus advogados vão custar uma fortuna para provar minha inocência. Talvez congelem minhas contas! Eu não tenho cinco mil dólares para dar para a Ruby brincar de modelo!

Meu pai entrou na sala nesse momento, segurando uma cerveja.

— Como é que é? — Ele franziu a testa e vi seu rosto rapidamente ficando vermelho. — Você vai negar um futuro para a sua irmã? Depois de tudo que fizemos para você virar médica?

— Fizemos? — Eu me levantei, sentindo indignação queimar o resto da minha tristeza. — Eu paguei minha faculdade sozinha! Eu trabalho feito uma condenada! Eu preciso desse dinheiro para não ir para a cadeia!

— Você é uma egoísta e ingrata! — meu pai explodiu, apontando o dedo na minha cara. — Você sempre teve tudo. Sempre foi a mais inteligente e cheia de oportunidades. Agora a Ruby tem a chance dela e você quer cortar as asas da menina por pura inveja!

— O quê?! Eu não tive oportunidades! Eu criei elas!

Olhei para o canto da sala. Ruby estava encostada na parede, lixando as unhas. Ela me olhou e deu um sorrisinho presunçoso, sabendo que era a favorita. Ela sabia que eu estava na lama e estava adorando cada segundo.

— Grace, transfira o dinheiro agora ou não precisa mais aparecer aqui — meu pai decretou.

Senti como se tivesse levado um tapa físico. Para eles, eu não era uma filha. Eu era só um caixa eletrônico. Se não cuspisse dinheiro, não servia para nada.

— Então eu não tenho mais família — murmurei.

Peguei minha bolsa e saí da casa onde cresci, ouvindo meu pai gritar insultos atrás de mim.

Entrei no carro, mas não liguei o motor para partir. Eu não tinha para onde ir. Me hospedar uns dias em um hotel seria caro demais para quem podia precisar de advogados competentes em breve.

Bebida. Sim, preciso de algo e desligar meu cérebro.

Dirigi até meu bar favorito. O lugar estava escuro, com música jazz tocando ao fundo e cheiro de madeira e álcool. Sentei-me no balcão e pedi tequila.

— Garrafa? — o barman perguntou.

— Copos. Muitos deles.

Virei o primeiro. O segundo. O terceiro. O ardor na garganta era bem-vindo e distraía a dor no meu peito. O mundo começou a ficar ligeiramente nublado, o que era ótimo.

— Ei, gatinha... — Uma mão pousou no meu ombro. Um homem com cheiro de cerveja barata e suor se encostou em mim. — Você parece muito sozinha. Que tal irmos para o meu carro?

— Sai fora. — murmurei, tentando empurrá-lo, mas minhas mãos pareciam tão zonzas quanto eu.

— Ah, não se faça de difícil... — Ele apertou meu braço.

De repente, uma sombra cobriu nós dois.

— O senhor não ouviu a dama? Ela disse para sair.

A voz era grave, aveludada e demonstrava uma autoridade que fez os pelos da minha nuca se arrepiarem.

O bêbado olhou para cima e empalideceu. O homem parado atrás dele usava um terno preto, feito sob medida, que gritava dinheiro e poder. Mas eram seus olhos escuros que assustavam. E talvez a altura... Uau, ele é grande.

O bêbado soltou meu braço e saiu tropeçando, murmurando desculpas.

O homem misterioso puxou o banco ao meu lado e se sentou. Ele fez um sinal para o barman, que imediatamente lhe serviu um uísque sem que ele precisasse pedir.

Ele se virou para mim e agora tive chance de notar que ele é devastadoramente bonito, com traços fortes e uma mandíbula marcada, seus cabelos eram castanhos escuros... ou claros, não sei, essa iluminação me deixa confusa. Me senti atraída como uma mariposa para a chama.

Ele me analisou, seus olhos varreram meu rosto e meu estado que devia ser deplorável.

— Você parece alguém que quer esquecer de tudo esta noite — o estranho bonito comentou.

Eu olhei para o fundo do copo vazio, depois para os olhos escuros dele. Eu não tinha mais nada a perder. Minha vida "perfeita" era uma mentira. Eu estava cansada de ser a boa moça, a boa filha e a boa namorada.

Levantei o olhar para ele, um sorriso imprudente e ferido curvou meus lábios.

— Mas você pode me ajudar a lembrar de alguma coisa.

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