A noite caiu sobre São Paulo com um peso incomum.
Não era apenas o céu encoberto, nem o vento que soprava mais frio do que o normal para aquela época do ano. Havia algo errado no ar. Um silêncio carregado, como se a cidade inteira estivesse prendendo a respiração.
Aurora saiu da Vesper Corp pouco depois das vinte e duas horas.
O dia fora longo. Reuniões intermináveis, telefonemas que não podiam ser feitos em voz alta, olhares trocados entre seguranças que diziam mais do que palavras. Desde a visita de Dante, Ethan reforçara os protocolos. Rotas alteradas. Veículos diferentes. Nenhuma repetição.
Ainda assim, a sensação de vigilância não desaparecia.
O carro preto deslizou pela rua iluminada, distante do fluxo intenso do centro. A poucos quarteirões da cobertura, reduziu a velocidade para acessar uma via secundária.
Foi ali que tudo começou.
Um veículo surgiu de repente, atravessado demais, rápido demais. O motorista freou bruscamente. O impacto não aconteceu — não naquele instante —, m