O hospital voltou à rotina antes que qualquer um deles estivesse pronto para isso.
As luzes continuavam claras demais. As enfermeiras falavam baixo demais. O mundo seguia com uma normalidade ofensiva enquanto algo fundamental havia sido arrancado de dentro de Aurora.
Ela permaneceu em silêncio por dois dias inteiros.
Não chorou.
Não perguntou.
Não reagiu.
Ethan ficou ao lado da cama durante todo esse tempo, mesmo com o ombro latejando sob os curativos, mesmo sob ordens médicas para repousar. Dormia mal, sentado, acordando a cada mudança na respiração dela.
Falava pouco. Quase nada.
O silêncio entre eles não era vazio — era pesado demais para ser atravessado.
Quando Aurora finalmente abriu os olhos por mais de alguns segundos, o olhar parecia distante, como se estivesse observando tudo de um lugar onde Ethan não conseguia alcançá-la.
O médico explicou os detalhes com cuidado técnico. Trauma abdominal severo. Hemorragia interna. Decisão cirúrgica inevitável.
Aurora ouviu tudo sem expres