(Ponto de vista dela — Aurora)
Eu não contei a Ethan que sonhei com Dante naquela noite.
Não foi um sonho romântico. Não exatamente.
Foi o tipo de sonho inquieto, daqueles que deixam uma sensação grudada na pele ao acordar — como se algo antigo tivesse sido mexido sem permissão.
No sonho, ele estava parado no corredor da antiga mansão Delmont. A mesma de antes. A mesma que eu jurava ter deixado para trás. Dante me olhava do jeito que sempre olhou quando éramos mais novos: atento demais, intenso demais, como se estivesse sempre esperando que eu dissesse algo que nunca disse.
Acordei com o coração acelerado e a mão instintivamente sobre o ventre.
Respirei fundo.
Era só o passado tentando se infiltrar no presente. Eu sabia disso.
Mas o passado, aprendi cedo, raramente pede licença.
Ethan já tinha saído quando me levantei. A casa estava silenciosa, organizada demais para um dia comum. Isso também era novo. A presença constante de seguranças discretos, o cuidado exagerado com horários, rot