Mundo de ficçãoIniciar sessãoElena Sokolova só precisava fingir por uma semana. Um contrato simples. Um namoro falso. Dinheiro suficiente para mudar sua vida. Sem sentimentos envolvidos. Era o acordo perfeito. Frio, poderoso e perigosamente irresistível, Mikhail Voronov não estava apenas interpretando um papel, estava executando um plano de vingança onde Elena era a peça central. O que começou como uma mentira calculada rapidamente se transforma em algo intenso, proibido e impossível de controlar. Porque quanto mais Elena tenta se afastar, mais se vê presa a um homem cheio de segredos e a sentimentos que nunca deveriam existir. Agora, entre a verdade e a paixão, ela terá que decidir: Ela deve seguir seu coração? O que você faria se descobrisse que foi arrastada para dentro da máfia russa? E pior, está apaixonada pelo Pakhan!
Ler maisElena Sokolova
Meu quadril gira, meu corpo ondula e encosto a bunda no calcanhar por alguns segundos. Um mar de vozes explode, quente e agressivo.
Movimento os braços com fluidez e repito o movimento, dessa vez de frente e, quando estou abaixada, faço movimentos com os joelhos abrindo e fechando as pernas.
Jogo os ombros para frente e balanço os seios. Xingamentos e palavras como “gatinha” e “venha aqui, linda” são as que eu mais ouço nesses momentos.
O nojo embrulha meu estômago, mas tento afastar o pensamento daqueles homens asquerosos.
As luzes coloridas e pulsantes refletem em meu corpo, como uma onda alucinante de rosa, roxo, vermelho... todas aquelas cores girando quase me deixam tonta. A fumaça e o cheiro enjoativo só pioram a minha situação, mas preciso aguentar... só mais um pouco.
A música alta lateja em meus ouvidos, o assobio dos homens preenchem o ambiente e o dinheiro deles estão espalhados pelo chão ao redor. Aquelas são minhas gorjetas, pego-as e as coloco na lateral da calcinha preta.
Rebolo exibindo as notas e isso só os incentiva a gritarem mais.
— Você é minha.
— Quero ouvir você gemendo no meu ouvido.
— Mostra mais, anjinha.
A música termina. Acabou o show. Graças!
Lanço um beijo no ar e saio do palco, rebolando.
Desço as escadas e sigo pelo corredor que me leva ao camarim.
O suor gruda em meu corpo e eu preciso urgentemente de um banho. Quando saio do box do banheiro, envolvida em uma toalha, me surpreendo em ver meu chefe, Sergei Malenkov, me aguardando. Ele é um homem alto, magro, mas com um pouco de barriga, careca e a barba grisalha.
— O público adorou o show de hoje. — Começa, levantando-se da cadeira giratória na qual estava sentado. — Sem dúvida a top das dançarinas da boate. Poderia ter o mundo a seus pés, se fosse mais maleável.
O analiso bem. Ele nunca vem ao meu camarim sem ter um bom motivo.
— Nem precisa falar da proposta. Você sabe que eu não faço programa. — Sou direta, pois sei que sempre que ele vem com essa conversa, é porque algum cliente da boate me viu dançar e quer algo mais.
Mas eu só danço. Só isso.
Tiro a toalha da cabeça, jogando meus cabelos para frente e os seco, esfregando os fios castanhos escuros com a toalha branca.
— Essa proposta é diferente. Vem de uma pessoa importante — diz ele, mas eu sei que no fim, a intenção é a mesma.
— Até o cara pedir pra passar a noite comigo.
Não me interessa quem é a pessoa.
— Dessa vez é diferente mesmo. — Enquanto ele fala, me sento na cadeira giratória que ele havia estado segundos antes, me viro para o espelho da penteadeira e começo a secar o cabelo. Ele continua. — Ele só quer fazer ciúmes e achou que você seria a pessoa perfeita para isso.
— Fazer ciúmes? — Desligo o secador e volto a atenção para o meu chefe.
Ele me entrega um iPad em minhas mãos. Na imagem capturada pelas câmeras de segurança da boate, o homem mais lindo que já vi na vida. Os cabelos loiro-escuros, maxilar forte e olhos verdes. Um homem enorme, quase dois metros de altura.
— Exatamente. — Ele dá de ombros e gargalha, vendo o quanto fiquei fascinada pela beleza do homem. — Mikhail Voronov, simplesmente o bilionário mais cobiçado da Rússia. E veio ao lugar certo, encontrar com a mulher certa para o serviço.
Como me mantenho calada, ele se afasta um pouco, caminhando lentamente pelo cômodo, enquanto volta a falar.
— Parece que ele ainda gosta da ex-mulher, e quer fazer ciúmes para ver se ela ainda gosta dele... alguma coisa assim. — Ele pega o iPad da minha mão. — E não há outra mulher melhor que você para esse serviço. Sabe que as mulheres morrem de ciúmes de você.
— E qual foi a proposta? — Volto a ligar o secador.
— Você vai viajar com ele. Terá uma reunião com as pessoas do ramo, onde a ex-mulher dele vai estar presente. Ele quer que você finja ser sua namorada. Muito apaixonada. Só isso.
Através do espelho encaro os olhos claros dele.
— E quanto ele vai me pagar por esse serviço?
Sergei dá uma risada, como se fosse uma verdadeira loucura o que está para dizer. Mas ao mesmo tempo parece nervoso.
— O que você ganharia em um ano como dançarina... por noite. — Frisa a última informação, entregando-me o iPad novamente, com o valor brilhando na tela. É muito dinheiro. — Um pagamento muito generoso.
Balanço a cabeça em negação.
— Esse cara vai querer que eu faça programa com ele. Vou estar sozinha em um quarto de hotel, não vou ter como me defender. Não. Não vou aceitar.
Coloco o aparelho de lado e pego a escova, começo a escovar meu cabelo, as ondas se formam, espalhando-se por meus ombros.
— Deixe de ser boba, garota. Quando terá outra oportunidade como essa? E ele garantiu que é um contrato sem sexo. Disse até que, se você quiser, podem assinar um documento com os termos do acordo.
— É sério isso? — Volto-me para meu chefe novamente.
Ele se aproxima de mim e coloca a mão sobre meu ombro.
— Nunca vi uma proposta como essa. Vai para casa e pensa com calma. Preciso da resposta de manhã bem cedo.
Aceno em concordância e ele se vai, me deixando sozinha no camarim.
Encaro meu rosto no espelho por alguns segundos antes de terminar de me arrumar. Minutos depois estou deixando a casa de show. O cheiro azedo do álcool atinge minhas narinas, fazendo minha cabeça girar somente com o fedor, enquanto atravesso o corredor para a saída.
É madrugada, a maioria das pessoas ali dentro já estão com altas doses de álcool na cabeça e algumas drogas na corrente sanguínea. Agora, as dançarinas são prostitutas prontas a atender aquele que as desejar.
Saio pelos fundos, apertando o casaco velho ao redor do meu corpo.
É julho na Rússia, início do verão, mas a noite ainda faz bastante frio.
Entro no meu carro velho e dou a partida.
Ele não liga, nem dá sinal de vida.
“Droga, deve ser a bateria.”
Saio do veículo, levanto o capô, aperto as conexões da bateria e volto a tentar, mas nada. Mais uma vez o carro dá nem sinal de vida.
Bufo e encosto-me nele, observando a rua deserta.
Ao longe carros passam lentamente, como se me observassem aqui... sozinha. Estremeço com o pensamento. É uma área perigosa, então há várias histórias de assalto ou coisas piores.
“Como vou sair daqui sem um carro a essa hora da madrugada?”
Chuto a porcaria do pneu que também está gasto e precisando ser trocado. A frustração me domina e urro de raiva ao dar mais dois chutes na lata velha.
— Maldito!
Meu pensamento vai na proposta do tal cara. Seria a solução dos meus problemas. Poderia até mesmo comprar um carro novo.
Abro a porta do meu velhinho e entro no veículo, sem ter uma opção melhor do que esperar a hora passar e chamar um mecânico.
Acomodo-me no banco inclinado, fecho os olhos para tentar tirar um cochilo, mas aquela sensação estranha não me abandona. Tento afastar meus pensamentos, mas a imagem do carro circulando a uma certa distância, lento demais, me deixa inquieta.
Minha mente está quase desligando quando uma batida na janela do carro me faz saltar no banco de susto.
Mikhail VoronovEstava evitando Ekatherina desde a madrugada, quando ela entrou no hospigtal para ser atendida. Embora ela não tenha sinais visíveis de qualquer problema, prefiro que ela passe por observação médica.Depois de deixar Arkady no quartinho de ferramentas, fui para a cobertura tomar um banho rápido e buscar Zara para ver a mãe do coração. Minha filha e minha esposa se amam como se tivessem uma ligação sanguínea, é lindo e emocionante de se ver.Depois de visitar a minha mulher, vou enfrentar aquele meu lado infantil que alimentava um medo sem explicação de reencontrar a minha mãe biológica. Não faz sentido, eu sei disso, mas é estranho.— Vamos ver a mamãe, papá? — Zara pergunta ao andarmos pelo corredor do hospital.— Sim, querida. Ela deve estar com muita saudade de você.— Eu também estou com muuuuita saudade.— Olha lá, o quarto é aquele, você quer fazer uma surpresa? — pergunto para a minha menina que se empolga.— Sim, sim... — Zara pula como pipoca.— Lembre-se que
Sofia MorozovaElena, Zhao Yue e eu estávamos no mesmo quarto de hospital. Não sofri nenhum ferimento físico, mas alguns exames serão realizados para constatar se meus bebês estão bem, mas como não tendo nenhum sintoma preocupante, as garotas foram atendidas primeiro.Yue tem um ferimento à bala na coxa e um ferimento no ombro produzido pela aste de aço que ela carregava nos cabelos. Corina conseguiu derrubar a chinesa, arrancar a aste dos cabelos dela e fincá-lo no ombro da mulher, dando a ela a oportunidade de fugir. Uma fuga que não a levou muito longe. Fiquei realmente impressionada com o desempenho de Elena.— Como está se sentindo? — pergunto à ela, que está com a mão sobre o braço enfaixado. Por sorte, a bala não acertou nenhum tendão que pudesse atrapalhar seus movimentos.— Com um pouco de dor, mas estou bem — informa. — E você, Yue? — pergunta à Chinesa.— Viva — responde, olhando o teto branco e iluminado. — E você, Sofia?Balanço a cabeça em negação.— Estou bem, só... iss
Mikhail VoronovOs olhos de Arkady passaram da mulher para mim e de volta para ela. Não sei se ele estava chocado com a verdade ou com medo de que eu acreditasse nas palavras da mulher.— Essa mulher é maluca — diz o homem, rindo, como se não acreditasse. A mulher olha para seus próprios dedos. — Ekatherina Volkov está morta há décadas.— Conte-me o que se lembra — peço com a voz suave, mas firme.— Você não pode estar acreditando nessa mulher. — Aponto a arma para o velho, calando-o.— Deixe que ela conte. — Volto meu olhar para a idosa. — Acredito em você, sei que diz a verdade. Só quero que me conte o que se lembra.Seus olhos desviam do chão para mim e depois voltam-se para os seus dedos novamente.— Estava grávida quando meu marido resolveu viajar, ele achou que seria mais seguro — murmura ela. — Ele vinha desconfiando que estavam armando algo contra ele, mas não sabia quem era o traidor. Então, viajamos para que nosso filho nascesse em segurança, mas...Ela se cala e então uma l
Sofia MorozovaElena se curvou sobre sobre si mesma, segurando o braço ferido pelo tiro. Um grito doloroso escapa da garganta da mulher, e a outra aproveita que Yue e eu nos preocupamos com o bem estar de Elena e tenta fugir.A risada histérica da loira morre em sua garganta quando os soldados que nos seguiram até aqui a impedem de fugir.— Achou que seria fácil demais, não é? — provoca Zhao Yue, aproximando-se da mulher com a arma em punho.— Venha, Elena. — Guio minha nova amiga com o braço ensanguentado para a porta. — É melhor irmos para a van.— Essa vagabunda — rosna ela, seu olhar atravessando a mulher com raiva. Se só o olhar matasse, Corina estaria morta.— Depois você poderá fazer o que quiser com ela — digo para Elena que suspira fundo, aceitando que esse é o melhor, principalmente agora que está com o braço ferido.Yue segura firme no pulso fugitiva e mantém uma arma apontada para ela, enquanto segue na direção do corredor.Elena e eu seguimos logo atrás. Precisamos conter





Último capítulo