Mundo de ficçãoIniciar sessãoElena Sokolova
As mãos dele estão na base da minha coluna. A pele quente de sua mão, queimando minha pele gelada pelo nervosismo.
Ele fez questão de me dar um vestido extremamente provocador para vestir. É o clássico vestido vermelho sensual e ousado. As costas estão completamente expostas; o vestido é longo, mas há uma fenda na perna direita que vai muito acima do joelho.
Os olhares dos homens me queimam, mas ninguém diz nada, pois acreditam que sou a namorada de Mikhail. A reunião é em uma mansão, e ela está lotada de homens e mulheres muito bem vestidos. Ternos e vestidos caros estão por todo lugar e taças de vinho branco estão sendo servidas por dezenas de garçons.
Desde o instante em que chegamos, todos os olhares se voltam para nós.
— Misha! — Um homem com cabelos castanhos e longos até a altura dos ombros, com um sorriso largo se aproxima do meu falso namorado.
— Alexei! — cumprimenta ele e aperta a mão do amigo. — Esta é Elena Sokolova, minha namorada.
Mikhail me apresenta e o homem volta seu olhar para mim. Seus olhos brilham com algo que não sei identificar e seu sorriso diminui um pouco.
— Então é ela — murmura ele, e sua voz sussurrada faz algo dentro de mim gelar.
— Roman já chegou? — inquire, e desvio o olhar de seu amigo e da conversa deles.
Nós três caminhamos pelo salão lotado, minhas mãos estão soltas, caídas ao lado do meu corpo e a mão dele permanece na minha lombar.
Pego uma taça, quando me é servida. Alexei e Mikhail pegam suas taças na sequência e os dois conversam. Não presto atenção no que falam, somente caminho ao lado deles. Finalmente deixamos o salão lotado e o amigo dele vai embora.
— O que acha de pegarmos um ar fresco na varanda? — sugere, mas quem sou eu para negar.
Aceno em concordância e seguimos para a varanda. O local é aberto, estendendo-se para um jardim que nessa época do ano está verde e bonito. Mas não estamos sozinhos.
Há menos pessoas, mas ainda o suficiente para iniciar uma fofoca e a notícia chegar aos ouvidos de quem ele quer.
Nos sentamos em um banco ornamentado, a mão grande de Mikhail para na minha coxa desnuda.
— Sorria — murmura ele. — Relaxe, não fique tensa desse jeito ou ninguém vai acreditar que somos namorados.
Faço o que ele disse e procuro relaxar. Levo a mão para o seu ombro, como ele havia instruído no quarto de hotel. Sem que ele me tocasse, eu deveria tocá-lo em algum momento. Sempre sorrindo.
— Você quer que essas pessoas falem de nós para ela — constato, sorrindo e piscando os olhos como uma mulher apaixonada.
Ele traça o meu rosto com seu dedo e se aproxima como se fosse me beijar, e talvez ele faça isso. Eu sei que tudo é encenação, ele está me pagando para isso, mas meu corpo parece não saber e se acende com o toque dele. Remexo em meu lugar, levando minhas mãos para o seu rosto trazendo-o para mais perto de mim.
Engano a mim mesma dizendo que é para reforçar a fofoca que chegará aos ouvidos de Anya, a ex dele.
— Eu diria que você está adorando o papel, senhorita Elena — diz ele com seus olhos fixos nos meus, eles brilham com alguma intenção lasciva. A boca dele está perto demais da minha, posso sentir a respiração de Mikhail se misturando com a minha.
— Adorei a quantia que caiu na minha conta, e ficarei ainda mais feliz com o restante que estará lá em breve.
O sorriso dele se torna ainda maior com a minha declaração, e ele me dá um selinho e me acaricia como se eu tivesse dito a coisa mais fofa do mundo.
— Minha bela... gosta de xadrez? — murmura ele em meu ouvido.
A voz sussurrada me faz arrepiar por inteira.
— Espero que fique feliz com a minha jogada principal.
Ele começa beijando a minha mandíbula; sua mão grande percorre a fenda do meu vestido e minha pele exposta por ela; seu calor me envolve e eu não sei mais se estou atuando ou se meu corpo apenas está reagindo.
Meus dedos cravam em seus cabelos loiro-escuros e curtos, puxo-o para mais perto e selo sua boca com a minha, beijando-o com vontade. Estou ficando louca.
Completamente alucinada com as sensações que ele me faz experimentar com poucas palavras e gestos, apenas a presença dele me desestabiliza.
No momento não me interessa de que jogada ele estava falando, de que tipo de peça eu sou, apenas que minha boca está devorando a dele em uma varanda cheia de pessoas. E que nesse momento não me importo com nenhuma delas.
Sem fôlego nos afastamos, o sorriso dele é contido e sínico, mas com um toque sensual. Seus lábios estão vermelhos, manchados pelo meu batom.
Fico corada quando noto que as pessoas ao redor estão cochichando.
— Parece que atingimos nosso objetivo — ele fala, confiante.
Forço um sorriso, não quero que ele perceba que não estava atuando quando o beijei.
— Era isso que queria, não é? — Ajeito o cabelo de forma casual. Abro a bolsa e retiro um espelho e um batom para retocá-lo.
— Acho que podemos contar os segundos — sussurra ele, enquanto olha para a entrada da varanda.
Limpo o batom borrado e começo a retocar. Pelo reflexo do espelho vejo alguém se aproximando a passos largos, o rosto retorcido de raiva.
Não olho para a pessoa que se aproxima, e finjo que não a notei. Deve ser a tal ex. Anya Lebedeva.
— Me empresta seu lenço, amor — diz ele com a voz melosa e sei que ela está próxima o suficiente para nos ouvir.
Mikhail limpa o rosto, devagar, desejando que ela perceba que ele está limpando meu batom borrado.
— Não acreditei quando ouvi os boatos — a voz dela é controlada, nem parece que está ardendo em raiva.
— Nem sabia que estava nesta reunião, Anya
— fala despreocupado. — Como vai?






