Mundo de ficçãoIniciar sessãoPamela Monteiro nunca imaginou que sua vida mudaria tão drasticamente. Quando sua meia-irmã Valentina recusa um casamento arranjado, Pamela é forçada a assumir seu lugar para salvar a família da ruína. O que ela não esperava era descobrir, tarde demais, que o noivo seria ninguém menos que Caleb Belmont — seu chefe. Frio, arrogante e perigoso, Caleb é o homem que Pamela mais teme… e mais deseja. Durante meses, ela se pegou perdida em pensamentos proibidos, fantasiando sobre aquele abdômen impecável que ele escondia sob os ternos impecáveis. Agora, Pamela está presa em um casamento de conveniência com o homem que acelera seu coração de medo e desejo. Casar-se com Caleb não será fácil, mas resistir a ele pode ser impossível.
Ler maisCalebA saída do hospital foi silenciosa. Não aquele silêncio pesado, ruim. Era um silêncio de cansaço bom, de quem sobreviveu a algo grande demais.Lucas estava na cadeirinha, já meio dormindo, com a cabeça tombada pro lado. Isabela resmungava baixinho, aquele som indeciso de quem ainda não sabe falar direito, mas sabe reclamar. Pamela sentou atrás com eles, uma mão em cada um, como se ainda tivesse medo de que sumissem se ela soltasse.Eu liguei o carro e respirei fundo antes de sair.— Agora acabou — falei, mais pra mim do que pra ela. — Agora tudo vai ficar bem.Pamela me olhou pelo retrovisor. Os olhos cansados, inchados, mas com um alívio que eu nunca tinha visto antes.— Vai sim — ela respondeu. — Eles estão com a gente.O caminho até em casa pareceu diferente. As ruas eram as mesmas, os semáforos, os prédios. Mas eu não era mais o mesmo cara que tinha saído dali dias antes. Eu estava mais atento, mais presente. Cada curva, cada freada, tudo parecia importante.Quando chegamos,
Caleb Eu ainda estava tentando entender tudo quando me sentei naquela cadeira dura do hospital. Pamela estava com a Isabela no colo, fazendo carinho no cabelo dela, enquanto o Lucas brincava com meus dedos, distraído, como se nada tivesse acontecido. Aquilo me desmontava por dentro.Eu olhava pros dois e pensava: como eu quase perdi isso?Minha cabeça doía. Meu corpo estava cansado. Mas nada disso importava agora. Eles estavam ali. Respirando. Chorando. Vivendo.A porta do quarto se abriu devagar.— Caleb… — ouvi a voz da minha mãe antes mesmo de vê-la.Levantei na hora.Vitória entrou primeiro. Os olhos vermelhos, a bolsa jogada no ombro, o cabelo fora do lugar. Atrás dela, meu pai, Bernardo, com a mesma cara abatida, mas tentando parecer forte.Minha mãe me abraçou forte, como se eu ainda fosse um menino.— Graças a Deus… — ela repetia, passando a mão no meu rosto. — Graças a Deus…Meu pai colocou a mão no meu ombro.— Você conseguiu, filho.Eu balancei a cabeça, sem conseguir fala
PamelaEu fiquei alguns segundos parada no meio da sala depois da ligação do Caleb. O celular ainda na minha mão, a tela escura, como se aquilo tudo pudesse sumir se eu me mexesse rápido demais. Meu coração estava batendo estranho, acelerado, fora do ritmo. Não era medo. Era emoção demais junta.Respirei fundo e a primeira pessoa que veio na minha cabeça foi a Vitória.Minha sogra.Ela merecia saber. Precisava saber.Disquei o número com os dedos trêmulos. Chamou duas vezes.— Pamela? — a voz dela saiu apreensiva, cansada.— Vitória… sou eu.— Aconteceu alguma coisa? — ela perguntou rápido, já em alerta.Eu fechei os olhos antes de falar. Quando abri, as lágrimas já estavam caindo.— As crianças… — minha voz falhou. — O Lucas e a Isabela… eles foram encontrados.Do outro lado, silêncio. Um silêncio pesado.— Pamela… — ela sussurrou. — Você tá falando sério?— Tô. Estão com o Caleb agora. Estão vivos. Vão passar por exames, mas estão bem.Eu ouvi o choro dela. Um choro sentido, alto, s
Caleb Eu estava sentada no sofá da sala, abraçada numa almofada que já não tinha mais forma de tanto que eu apertava. Meu corpo estava cansado, pesado, como se eu tivesse vivido anos em poucos dias. Flávia estava de um lado, sentada perto demais, como se tivesse medo de eu desaparecer. Valentina andava de um lado pro outro, nervosa, secando o rosto o tempo todo.A casa estava estranhamente silenciosa. Um silêncio que machucava. Não tinha brinquedo espalhado, não tinha som de risada, não tinha chorinho de bebê pedindo colo. Só aquele vazio enorme, gritando dentro de mim.— Qualquer notícia, ele liga — Flávia disse, pela milésima vez.Eu assenti com a cabeça, mas por dentro eu já não acreditava em nada. Eu estava no limite. Meu peito doía, meus olhos ardiam, minha cabeça latejava. Eu só queria meus filhos. Só isso. Nada mais.O celular estava na mesa de centro. Eu não tirava os olhos dele. Parecia que, se eu piscasse, ia perder alguma coisa importante.Valentina parou de andar e me olh
Caleb Quando eu cheguei ao local, a noite já tinha tomado conta de tudo. O galpão era cercado por viaturas, luzes piscando em azul e vermelho, homens armados em silêncio tenso. O ar estava pesado. Cada segundo parecia uma provocação.Desci do carro com o coração batendo errado, rápido demais. Minhas mãos tremiam. Eu não sabia se era medo, raiva ou esperança. Talvez tudo junto.— Senhor Caleb, por favor, fique aqui — um policial disse, colocando a mão no meu peito para me segurar.— Onde eles estão? — perguntei, sem conseguir controlar a voz.— Lá dentro. As crianças ainda estão com eles.Engoli em seco. Lá dentro. Tão perto que doía.As negociações já estavam acontecendo havia horas. Eu acompanhava tudo de longe, ouvindo pedaços soltos, palavras jogadas no ar como facas: dinheiro, fuga, avião, tempo.Eles queriam tudo. E eu daria tudo. Não existia limite quando se tratava dos meus filhos.O tempo passou lento, cruel. Uma hora. Duas. Eu andava de um lado para o outro, passava a mão no
Eu entrei no carro e fiquei alguns segundos parado, com as mãos no volante, olhando pro nada. O galpão ainda estava ali atrás de mim, vazio, silencioso, como se estivesse rindo da minha cara. Meu peito doía de um jeito físico, real. Parecia que alguém tinha enfiado a mão dentro de mim e apertado meu coração até quase estourar.Peguei o celular. Demorei pra desbloquear. Eu não queria fazer aquela ligação. Não queria ouvir a voz da Pamela quebrando do outro lado. Mas eu precisava. Ela tinha o direito de saber.Liguei.Ela atendeu rápido demais, como se estivesse esperando com o telefone na mão.— Caleb? — a voz dela saiu fraca, esperançosa. — Você achou eles?Eu fechei os olhos.— Não… — falei baixo. — Não estão aqui.Houve um silêncio pesado. Dava pra ouvir a respiração dela ficando irregular.— Como assim não estão aí? — ela perguntou, já chorando. — A polícia disse que era quase certo…— Eu sei — interrompi, tentando manter a voz firme. — Eu sei, amor. Mas o galpão estava vazio. Não





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