CAPÍTULO 84 — A SOMBRA QUE CRESCE
O dia na empresa estava calmo demais.
Helena percebia isso pelo silêncio nos corredores, pelo ritmo quase lento das reuniões e até mesmo pela forma como Arthur a observava de tempos em tempos, como se estivesse tentando decifrar algo invisível.
Eles estavam felizes, estabilizados depois da lua de mel, mas havia uma tensão silenciosa que rondava o ar desde que retornaram.
Téo estava bem — animado, cheio de histórias, falando sem parar do avô que agora considerava “super legal” — mas Helena tinha sentido alguns olhares estranhos na rua, alguns barulhos incomuns perto do prédio… e, principalmente, aquela sensação incômoda de ser observada.
Ela ainda não tinha comentado com Arthur. Não queria parecer paranoica.
Ainda.
---
Já Camila… estava longe de qualquer calmaria.
Sentada no sofá de um pequeno apartamento alugado às pressas, cercada por pastas, documentos impressos, anotações e fotos, ela parecia uma versão mais afiada — e mais perturbada — de