CAPÍTULO 70 – ENTRE LINHAS QUE SE APROXIMAM
Naquela manhã, Helena chegou à empresa com uma estranha sensação no peito — não desconforto, mas algo que lembrava… expectativa. Desde que permitira, mesmo a contragosto, que Augusto se aproximasse de Theo, tudo parecia estar passando por uma fase de transição silenciosa. Como se o universo tivesse apertado um botão de “reorganizar”.
Ela segurava a mão do filho ao entrar no prédio. Theo saltitava, empolgado, segurando uma miniatura de avião que ganhara de Arthur no dia anterior.
— Mamãe, será que hoje posso mostrar o avião pro vô Augusto?
A pergunta atingiu o coração de Helena num ponto sensível. Não era dor… mas um medo residual. Um receio de que tudo aquilo estivesse indo rápido demais — mesmo sabendo que não estava. Porque a aproximação era lenta, cuidadosa, respeitando cada limite que ela impunha. Ainda assim, ouvir o filho usar “vô” com tanta naturalidade mexia com ela mais do que gostaria de admitir.
Helena respirou fundo.