CAPÍTULO 67 — ENTRE PASSOS LENTOS E PROMESSAS NÃO DITAS
Helena nunca imaginou que pudesse se acostumar com uma rotina onde Arthur fazia parte de quase todos os pequenos detalhes do dia. Não porque ele fosse controlador — bem longe disso —, mas porque a presença dele parecia simplesmente… natural. Orgânica. Como algo que deveria ter estado ali desde sempre.
Era sábado de manhã, e ela estava ajeitando a gola da camisa de Theo para a aula especial de música quando ouviu a campainha tocar. Theo disparou antes que ela pudesse reagir.
— É o Arthur! — ele gritou, com o entusiasmo puro que só uma criança tinha.
Helena respirou fundo, tentando controlar o sorriso teimoso que ameaçava aparecer.
Arthur estava encostado no batente da porta, casual — jeans escuro, camiseta simples, cabelo desalinhado, cheiro de colônia fresca que sempre fazia o coração dela falhar uma batida.
— Bom dia — ele disse, e aquele sorriso que ele só usava com ela surgiu, lento, quase tímido.
— Bom dia — ela