Capítulo 23 – Arthur
A sala de reuniões do conselho sempre foi fria, mas naquela manhã parecia congelada. Talvez fosse o ar-condicionado exagerado, ou talvez fosse a presença de meu pai sentado na cabeceira da mesa, analisando alguns relatórios como se fossem armas.
Eu entrei em silêncio, ajustando a gravata, sentindo o peso daquela conversa antes mesmo de ela começar.
Camila já estava lá, como sempre. Postura impecável, sorriso calculado, pronta para cumprir exatamente o papel que ela mais gostava: ser os olhos e ouvidos do meu pai quando se tratava de mim.
— Arthur — meu pai começou, sem sequer erguer o olhar. — Finalmente.
Camila sorriu para mim como quem diz “boa sorte tentando se salvar”.
Sentei-me na mesa, de frente para ele.
— Vamos direto ao ponto — respondi.
Só então ele levantou os olhos. Eles tinham aquela dureza que parecia ter sido construída ao longo de décadas de escolhas erradas. Eu sempre cresci tentando decifrar se aquilo era força… ou simplesmente inc