CAPÍTULO 22 – Arthur
O frio da noite ainda estava grudado no meu paletó quando entrei no carro. Mas nenhum vento do lado de fora poderia ser comparado ao gelo que senti quando Helena fechou a porta — sem hesitar, sem tremer, sem demonstrar absolutamente nada.
Ela estava… inalcançável.
E, pela primeira vez na vida, eu entendi o que era não ter controle algum.
— Para onde agora, senhor? — meu motorista perguntou pelo retrovisor.
Eu não respondi de imediato. Apenas olhei pela janela, vendo as luzes borradas da rua, como se o mundo estivesse desfocado.
— Só dirija — murmurei.
O carro avançou silencioso, mas minha mente não conseguia acompanhar o mesmo ritmo. Estava presa naquela porta se fechando. Na expressão calma dela. No tom límpido que não buscava ferir — mas que, ainda assim, me atravessou como uma lâmina fina.
“Eu apenas voltei a ser quem eu era antes de você atravessar minha vida.”
Essas palavras ecoavam sem parar. Não porque foram duras. Mas porque eram verdade.