Capítulo 24 – Arthur
No dia seguinte meu pai exigio uma reunião.
A porta da sala de reuniões se fechou atrás de mim, abafando o burburinho do corredor. O som da madeira batendo ecoou dentro da minha cabeça como um aviso — eu sabia que aquela conversa não seria simples. Meu pai não convocava reuniões particulares sem motivo, e Camila não estaria ali se não fosse para pressionar ainda mais.
Meu pai estava na ponta da mesa, braços cruzados, postura rígida como sempre foi durante toda minha vida. Camila ocupava a cadeira ao lado dele, impecável, sorriso calculado, como se estivesse prestes a assistir a um espetáculo.
Um espetáculo que ela mesma tinha ajudado a montar.
— Arthur — meu pai começou, sem sequer fingir cordialidade — precisamos conversar sobre alguns comportamentos recentes seus.
Sentei-me, ajustando a gravata, tentando manter a compostura que ele tanto cobrava de mim desde criança.
— Estou ouvindo.
Meu pai empurrou um relatório em minha direção. O papel deslizou