CAPÍTULO 108 — ENTRE A VIDA E O MEDO
Os pneus do carro cortavam a estrada de terra em alta velocidade, levantando poeira enquanto Arthur dirigia com uma mão — a outra segurava firme a de Helena.
O pai dele estava no banco de trás, segurando o ombro de Helena com delicadeza, tentando manter a calma que faltava ao próprio filho.
A respiração dela era curta. Tensa. Doía.
— Arthur… — ela murmurou, e só isso foi suficiente para que ele acelerasse mais.
— Aguenta, amor. A gente já tá chegando — disse, tentando manter a voz estável.
Mas os dedos tremiam no volante.
Helena apertou os olhos quando outra pontada atravessou o baixo ventre. Não era como antes. Não era só um susto ou tensão. Era diferente — mais firme, mais perigoso.
— Não deixa acontecer nada… — ela pediu, a voz falhando de medo.
Arthur quase perdeu o ar.
— Eu não vou deixar. Você me ouve? Eu não vou deixar — ele respondeu, com aquela convicção quebrada que só aparece quando alguém está à beira de perder algo insubstit