CAPÍTULO 109 — QUANDO A NOITE NÃO TERMINA
O hospital tinha um silêncio estranho naquela madrugada, um silêncio quebrado apenas pelo som ritmado das máquinas e o leve eco de passos no corredor.
Arthur estava sentado ao lado da maca onde Helena descansava. Ela havia finalmente adormecido depois da medicação, mas o semblante continuava tenso, como se até seus sonhos estivessem em alerta.
Ele não tirava os olhos dela.
Nem por um segundo.
A mão dele permanecia segurando a dela. Firme. Protetora. Como se segurá-la fosse o único modo de impedir o mundo de desmoronar de novo.
Mas por dentro?
Arthur estava à beira do colapso.
A pontada, a pressão, a ameaça silenciosa de perder o bebê que ele mal teve tempo de conhecer… tudo isso havia aberto um buraco no peito dele.
O tipo de buraco que só quem já perdeu algo grande demais reconhece.
O tipo de buraco que se transforma em ira.
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A CONVERSA COM O MÉDICO
O obstetra entrou no quarto com passos contidos. Arthur levantou-se na hora,