CAPÍTULO 107 — QUANDO O PERIGO RESPIRA PRÓXIMO
A madrugada caiu pesada sobre o sítio. O vento frio passava entre as árvores, fazendo-as ranger como se também estivessem assustadas depois do ataque. A casa permanecia iluminada por lâmpadas amareladas, e o silêncio era quase sufocante.
Arthur estava sentado na beirada da cama, o rosto duro, as mãos cerradas. Ele não dormia desde que segurara Helena em seus braços enquanto ela tremia, assustada, protegendo a barriga.
O médico já tinha ido embora, deixando recomendações claras: evitar estresse extremo, algo praticamente impossível com alguém querendo destruí-los.
Helena estava deitada, mas acordada. Ela o observava em silêncio, vendo cada pequena tensão acumulada nele — o maxilar travado, os ombros rígidos, a respiração pesada.
— Você ainda está assim… — ela disse, com a voz suave, quebrada pela preocupação.
Arthur ergueu os olhos devagar.
— Não tem como não estar — murmurou. — Eles chegaram perto demais, Helena. Perto demais.
El