CAPÍTULO 103 — SOMBRAS QUE SE APROXIMAM
O apartamento estava silencioso quando Arthur entrou, quase pisando na ponta dos pés. Helena dormia no sofá, uma manta leve cobrindo a barriga recém-descoberta como se ele pudesse, instintivamente, protegê-la até enquanto ela sonhava.
Ele ficou alguns segundos ali, apenas observando — o jeito que ela respirava de forma profunda, as mãos delicadamente pousadas sobre o ventre, como se já estivesse acolhendo aquela nova vida.
A nova vida deles.
A nova vida da família que eles estavam construindo.
A luz suave do abajur iluminava o rosto dela, e Arthur sentiu o peito apertar num misto de emoção e responsabilidade. Depois de tudo que tinham passado, depois de tantos reencontros, quedas, medos e reconstruções… agora havia outra pessoa a ser protegida.
E ele jamais permitiria que o mal chegasse perto.
Não dessa vez.
Ele se aproximou devagar, ajoelhou-se ao lado do sofá e passou os dedos pela mão dela, beijando a ponta dos seus dedos com delicad