87. Sob o mesmo teto
O som foi a primeira coisa que voltou.
Um som abafado, distante — como se o mundo inteiro respirasse por trás de uma parede de vidro.
Depois veio o cheiro.
Lençóis limpos, amadeirados, com uma nota inconfundível de café e fumo.
E só então o toque — o peso suave de uma manta sobre o corpo, o travesseiro firme sob a cabeça, a maciez que não combinava com hospital nenhum.
Meus olhos se abriram devagar, feridos pela penumbra cortada pela luz do amanhecer que escapava por entre as cortinas.
O quarto