O grande portão da casa dos Montenegro se abriu em silêncio, lento demais. Faltava cinco minutos para as seis da manhã. Minha mãe sempre dizia, em um trabalho, chegar na hora marcada é considerado atraso. Então, eu preferia chegar alguns minutos antes. Desci do carro com a postura mais firme que consegui reunir naquela manhã e ajeitei a bolsa no ombro, tentando ignorar o peso invisível do passado que eu carregava comigo. Apertei a campainha, mas alguém só veio abrir a gigante porta de madeira, as seis em ponto.A fachada da era imponente. Vidros espelhados, jardim milimetricamente aparado, nada fora do lugar. Aproveitei para observar tudo ao redor. Aquele espaço não fazia parte da minha realidade suburbana. Por dentro, o cheiro era de limpeza recente e dinheiro antigo. Fui recebida por Berta, a governanta.— Seja bem-vinda, Lívia — ela já me recebeu com intimidade de colegas de trabalho — O senhor Montenegro já saiu para o trabalho. Vou lhe apresentar o Théo.Assenti, seguindo-a por u
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