Mundo ficciónIniciar sesiónKatherine Sanders, falida e humilhada pela família, tenta contratar um acompanhante de luxo para o casamento da irmã, onde encontrará seu ex-noivo (que não é o noivo da irmã dela). Por um erro do destino, ela confunde Nick, um bilionário arrogante e entediado, com o profissional contratado. Nick decide entrar na farsa por diversão, mas a brincadeira sai do controle quando uma noite de paixão resulta em uma gravidez inesperada e um pedido de casamento público que sela o destino de ambos. Mas que causa uma catástrofe na família Sanders, que é totalmente invejosa e disfuncional. Além disso, Katherine não tem certeza dos sentimentos de Nick, pois é possível que ela só se trate de mais uma novidade em sua vida de herdeiro entediado e logo o conto de fadas terminará.
Leer másNICK
Eu estava sentado na cadeira de couro italiano do escritório do meu irmão, girando um copo de uísque que custava mais do que o carro da maioria das pessoas, enquanto ele andava de um lado para o outro, gritando ao telefone.
— Preciso ir, Nick — disse Ethan, desligando o celular. — Um motorista bateu o Bentley. Tenho que resolver isso antes que a imprensa descubra. Fica de olho no escritório por dez minutos? A secretária saiu.
— Não sou seu secretário — respondi, imóvel. — Sou o investidor que pagou por tudo isso. E estou achando que a Elite Companions dá mais dor de cabeça do que lucro.
— Só atenda se for emergência. — disse ele, fechando a porta atrás de si.
O silêncio voltou. O silêncio caro e insuportável da minha vida. Aos trinta e dois anos, com bilhões na conta, a vida tinha perdido a cor. Era tudo previsível. Tudo comprável.
Foi então que a linha privada na mesa tocou. A linha dos "clientes VIP".
Olhei com desprezo, mas o tédio é perigoso. Atendi.
— Quem é? — perguntei, impaciente.
— Hã... é da agência? — Uma voz feminina respondeu, à beira de um colapso. — Preciso de um homem. Agora. Para amanhã.
Arqueei uma sobrancelha. Não havia sedução naquela voz. Havia pânico.
— Um homem — repeti, testando o absurdo. — Tem ideia de que horas são?
— Eu não me importo! — Ela gritou. Ninguém gritava comigo desde que eu tinha cinco anos. — Tenho dinheiro. Cartão de crédito. Preciso de alguém que pareça dono do mundo. Que faça meu ex-noivo parecer um manobrista. Alto, bonito e que saiba usar terno. Pago o dobro se ele for convincente.
Um sorriso lento se formou no meu rosto. Dono do mundo. Fazer o ex parecer um manobrista. Aquela mulher não queria um acompanhante. Queria uma arma nuclear para explodir o ego de alguém. Pela primeira vez em meses, achei divertido.
— O dobro? — perguntei, sentindo o gosto da ironia. — Quer alguém pra fingir ser dono do mundo?
— Exatamente.
Olhei meu reflexo na janela. Terno Armani, relógio Patek Philippe. Eu não precisava fingir.
— Interessante... — murmurei. — Esteja no lobby do Hotel Plaza em uma hora. Não se atrase. Odeio atrasos.
Desliguei. Peguei as chaves do Rolls-Royce que Ethan deixava na garagem. Eu não ia mandar um funcionário. Eu mesmo iria. Queria ver a cara da mulher que teve a audácia de gritar comigo.
***
Uma hora depois, entrei no lobby do Plaza.
Ela era a única coisa autêntica naquele mar de fingimento. Parada perto de uma coluna, usava um vestido preto um número menor do que deveria e segurava a bolsa como um escudo. Era linda de uma forma bagunçada. Cabelos castanhos rebeldes, olhos grandes e alertas, e uma boca entreaberta em choque ao me ver.
Ela veio tropeçando nos saltos.
— Você está atrasado trinta segundos — disparou.
Quase ri. A audácia não tinha limites. Antes que eu respondesse, ela enfiou um envelope amassado no bolso do meu paletó.
— Aqui. Metade agora, metade depois.
Toquei o envelope fino. O "dobro" que ela prometeu não pagaria nem meu charuto matinal. Mas aquilo tornou tudo fascinante. Ela achava que podia me comprar com trocados.
— As regras — ela continuou, nervosa. — Seu nome será Ethan. Só fale se falarem com você. Sem toques excessivos. E sem beijo na boca.
Aproximei-me, invadindo o espaço dela. O cheiro de perfume barato e ansiedade era inebriante.
— Primeiro, meu nome é Nick — corrigi, decidindo jogar com as minhas cartas. — Segundo, se quer que acreditem que um homem como eu está com uma mulher como você, faremos do meu jeito.
Vi as pupilas dela dilatarem. Medo? Excitação? Os dois. Inclinei-me para o ouvido dela.
— E terceiro... eu beijo quando eu quiser.
Afastei-me antes que ela rebatesse e sinalizei para o motorista. Entramos no carro. O isolamento acústico nos separou do mundo. Ela relaxou no banco de couro, soltando um suspiro trêmulo, crente de que tinha contratado o melhor profissional da cidade.
— Ok, "Nick" — disse ela, tentando recuperar a pose. — A produção é impecável. Mas sério, quando encontrarmos o Jeffrey, tenta parecer mais... apaixonado. E menos homicida.
Ignorei, checando mensagens no celular. Ela tirou mais dinheiro da bolsa. Um bolo de notas tristes e amassadas.
— Aqui está o resto. Prefiro pagar tudo agora.
Olhei para aquele dinheiro. Aquilo só podia ser o aluguel dela. Ela estava me dando tudo para salvar a própria honra.
— Guarde seus trocados, Katherine — disse eu, rindo do absurdo.
— Como assim? É o contrato.
— Você não tem dinheiro suficiente para pagar nem pela gasolina até o restaurante — respondi, inclinando-me para ela, apreciando o terror em seus olhos. — Mas sabe de uma coisa? Eu estava terrivelmente entediado hoje. E ver você mentir na cara do seu ex parece fascinante.
Apertei o botão do intercomunicador.
— James, leve-nos ao restaurante.
Ela se encolheu, segurando o dinheiro como salvação, achando que eu era um acompanhante caro e perigoso. Mal sabia que a realidade era pior: ela acabava de virar o brinquedo favorito de um homem sem limites. E eu pretendia brincar muito naquela noite.
NICKEu permaneci parado no meio do escritório depois que Katherine saiu, olhando para a porta fechada como se ela ainda estivesse ali, respirando o mesmo ar que eu. A maçaneta não se moveu de novo. O som dos passos dela descendo a escada ecoou na minha cabeça muito depois de o carro ter deixado a propriedade. Eu estava acostumado a decidir fusões de milhões em minutos, a demitir executivos com uma frase, a transformar crise em lucro. Mas ali, sozinho, com um copo vazio na mão e uma pasta aberta sobre a mesa, eu não tinha decisão pronta.Eu ia ser pai.A palavra não encaixava no meu vocabulário. Pai era o homem que saiu de casa quando eu tinha cinco anos, deixando minha mãe com contas atrasadas e uma criança que aprendia cedo demais a não depender de ninguém. Pai era ausência. Eu construí tudo que tenho porque aprendi que ninguém viria me salvar. E agora havia um corpo minúsculo crescendo dentro da única mulher que já me enfrentou sem baixar os olhos.O terror veio primeir
KATHERINEO carro ainda estava em movimento quando a pergunta dele ecoou no espaço apertado entre nós."Porque se você estiver grávida, Katherine, eu preciso saber se o filho é meu."Congelei. O ar preso nos pulmões, o coração batendo tão forte que parecia querer sair pela boca. Olhei para Nick, para aquele rosto que misturava frieza e algo que eu não conseguia identificar. Mentir seria inútil. Ele já sabia. Ou pelo menos desconfiava o suficiente para me arrastar até um hospital e descobrir de qualquer jeito.Engoli seco, forcei a voz a sair.— Sim.A palavra caiu como pedra no lago. Provocou ondas que eu sabia que não conseguiria controlar.Nick ficou absolutamente imóvel. Não piscou. Não respirou. Apenas me olhou como se estivesse tentando ler algo escrito em língua estrangeira no meu rosto.— Sim o quê? — perguntou, a voz saindo baixa, perigosa.— Sim, estou grávida. — Respirei fundo, preparando para o impacto. — E sim, é seu.O mundo pareceu pausar.Nick recostou no banco de couro
NICKEsperei ela se acomodar no cubículo. Através do vidro lateral do meu escritório, vi Katherine entrar, largar a bolsa velha na cadeira, e ficar parada por um segundo longo demais, como se estivesse reunindo forças para simplesmente existir.O motorista tinha me ligado vinte minutos atrás. A voz dele, sempre controlada, carregava algo que raramente ouvia: desconforto."Senhor Langford, a senhorita Sanders saiu da loja sem comprar nada. E... ela está chorando."Chorando.A palavra tinha atingido como soco no estômago, mas eu não deixei transparecer. Agradeci a informação, desliguei, e fiquei encarando o telefone por tempo demais, processando.Katherine não chorava fácil. Eu tinha visto ela aguentar humilhação da própria família, engolir a frieza que eu atirava nela diariamente, trabalhar até a exaustão sem reclamar. E agora, duas vendedoras idiotas de uma boutique superestimada tinham conseguido quebrá-la.Isso me irritou mais do que deveria.Peguei o telefone, liguei para o dono da
KATHERINEA pilha de contratos na minha frente parecia se multiplicar cada vez que eu piscava. Números, cláusulas, termos jurídicos se misturavam na tela até virarem borrão. Meus olhos ardiam. As costas doíam de tanto eu ficar curvada sobre a mesa por horas seguidas. Mas eu não podia parar. Parar significava falhar. E falhar significava dar a Nick exatamente o que ele queria: uma desculpa para me destruir.O relógio na parede do cubículo marcava onze e vinte. Faltavam quarenta minutos para o prazo impossível que ele tinha estabelecido. Quarenta minutos para terminar vinte contratos, categorizá-los, digitalizá-los e entregar tudo organizado como se eu tivesse uma equipe inteira trabalhando comigo.Respirei fundo, ignorei a dor de cabeça latejando nas têmporas, e voltei a digitar.A porta do cubículo se abriu sem aviso. Donna entrou carregando um copo de café, Megan logo atrás com expressão preocupada.— Você sumiu da limpeza — disse Donna, colocando o café na mesa. — Nem avisou. Sharon
NICKO dossiê estava aberto na minha mesa desde as seis da manhã. Papel branco, fonte corporativa, informações organizadas em blocos impessoais que deveriam me dar todas as respostas. Mas tudo que faziam era me irritar mais.Katherine Anne Sanders. Vinte e oito anos. Solteira. Ensino superior incompleto. Último emprego registrado: dois anos atrás, recepcionista em um escritório de advocacia. Demitida por corte de custos, segundo a justificativa oficial.Endereço atual: incompleto. Apenas o nome de uma rua em um bairro que eu sabia ser modesto demais para ter portaria ou segurança. Referência pessoal: Lara Mendes, sem vínculo familiar declarado. Conta bancária: movimentação mínima, sempre no limite negativo.Nada de cartões de crédito ativos. Nada de bens registrados. Nada que indicasse estabilidade ou planejamento de longo prazo.Ela estava vivendo no fio da navalha. E mesmo assim tinha me devolvido o anel
KATHERINEA porta do escritório era pesada demais para o tamanho dela. Empurrei com as duas mãos e entrei como quem entra em um tribunal, coluna ereta, queixo firme, tentando parecer menos destruída do que eu estava.Nick estava sentado atrás da mesa enorme, os olhos fixos na tela do computador. Não levantou a cabeça quando entrei. Não disse bom dia. Não fez nada além de continuar digitando, como se eu fosse parte da mobília, algo que ele tinha encomendado e agora precisava encaixar em algum lugar.Fiquei parada no meio da sala, as mãos apertadas na lateral do corpo, esperando. O relógio na parede marcava os segundos com uma precisão cruel. Dez. Vinte. Trinta. Ele continuava digitando, ignorando minha existência com uma eficiência que doía mais do que qualquer grito.Finalmente, sem tirar os olhos da tela, ele falou.— Sente.O tom foi de ordem. Obedeci, puxando a cadeira de couro frio e me sentando na beirada, as costas longe do encosto, relaxar seria admitir derrota.Ele terminou o





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