Capítulo 14

Dormir foi impossível.

Fiquei horas deitada, os olhos abertos no escuro, ouvindo o silêncio da mansão como se ele estivesse me espiando também. Cada som — o ranger do assoalho, o vento balançando as folhas do jardim — me fazia prender a respiração. Minha mente rodava sem parar: o olhar de Isabela, o toque quase dado, o sussurro que ecoava mais alto do que qualquer grito.

“Você cuida bem dela.”

Não era um elogio. Era um aviso. Ou pior: um teste.

Levantei antes do sol nascer, só para ter algo com que me ocupar. Arrumei meu quarto, dobrei as roupas novas — aquelas que Arthur insistiu em me dar — e fiquei olhando para o colar de flor de prata no espelho. Parecia uma piada cruel agora. Como se eu pudesse usar algo tão frágil num mundo onde mães desaparecidas reaparecem nos parques como fantasmas com olhos humanos demais para serem seguros.

Na cozinha, Dona Cida já preparava o café. Ela me olhou e, sem dizer uma palavra, serviu uma xícara extra e pôs um pão de queijo quente na minha frente.
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