Capítulo 15

Aquele bilhete não saía da minha cabeça.

“Obrigada por cuidar da minha flor. Mas flores pertencem às mães.”

Eu li e reli aquelas palavras enquanto preparava o café da manhã, enquanto escovava os dentes de Sophia, enquanto fingia que o mundo ainda girava normalmente. Mas não girava. Algo tinha se partido — ou melhor, algo tinha sido plantado. E agora, como semente regada com medo, começava a brotar.

Sophia estava mais quieta do que o normal. Não chorava, não gritava, mas olhava pela janela do jardim com um ar pensativo que não combinava com seus cinco anos.

— Mauren... — chamou, de repente, enquanto colhíamos margaridas para enfeitar a mesa do almoço.

— Sim, flor?

— A senhora do lago... ela era minha mãe?

Meu coração parou por um instante.

Não esperei por essa pergunta tão cedo. Mas talvez, lá no fundo, eu já soubesse que viria.

— Por que você acha isso? — perguntei, com cuidado, colhendo uma flor ao lado dela.

— Porque ela me chamou de “flor”. Só minha mãe me chamava assim. Eu lembro…
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