Aquele bilhete não saía da minha cabeça.
“Obrigada por cuidar da minha flor. Mas flores pertencem às mães.”
Eu li e reli aquelas palavras enquanto preparava o café da manhã, enquanto escovava os dentes de Sophia, enquanto fingia que o mundo ainda girava normalmente. Mas não girava. Algo tinha se partido — ou melhor, algo tinha sido plantado. E agora, como semente regada com medo, começava a brotar.
Sophia estava mais quieta do que o normal. Não chorava, não gritava, mas olhava pela janela do jardim com um ar pensativo que não combinava com seus cinco anos.
— Mauren... — chamou, de repente, enquanto colhíamos margaridas para enfeitar a mesa do almoço.
— Sim, flor?
— A senhora do lago... ela era minha mãe?
Meu coração parou por um instante.
Não esperei por essa pergunta tão cedo. Mas talvez, lá no fundo, eu já soubesse que viria.
— Por que você acha isso? — perguntei, com cuidado, colhendo uma flor ao lado dela.
— Porque ela me chamou de “flor”. Só minha mãe me chamava assim. Eu lembro…