O medo se instalou como um hóspede indesejado. Depois da conversa com Mirielen e da confissão silenciosa na varanda, cada som noturno no jardim parecia um sussurro, cada sombra além do portão, uma silhueta observadora. Arthur redobrou a segurança discretamente. Larissa, sempre presente, agora tinha um olhar ainda mais aguçado, uma postura ainda mais alerta. Para Sophia, nada mudou — era apenas “Larissa sendo superprotetora de novo” —, mas o ar estava carregado de uma tensão silenciosa que só adultos conseguiam respirar.
Foi num desses dias tensos que decidi levar Sophia ao pequeno parque público do bairro, aquele com o lago dos patos. Arthur relutou, mas cedeu diante dos olhos suplicantes da filha e da minha promessa de não sair do campo de visão de Larissa. “A vida não pode parar”, eu argumentei, tentando convencer a mim mesma também. “Ela precisa de normalidade.”
— Normalidade — Arthur repetiu, esfregando a têmpora. — Tenho quase esquecido o que é isso. Mas você tem razão. Vão. Lari