O quarto de Mia era um santuário de silêncio e sombras. Paredes em tons de lavanda, móveis caros, mas uma ausência completa de alegria. A menina estava sentada no meio da cama imensa, parecendo ainda menor do que seus oito anos sugeriam. Aproximei-me devagar, sentindo meu coração apertar. Seus cabelos escuros eram lindos, caindo em ondas perfeitas sobre os ombros, e seus olhos, embora brilhantes, tinham uma névoa de tristeza que eu conhecia bem. — Mia? — chamei baixinho. — Posso te contar uma história? Ela não respondeu, mas seus olhos encontraram os meus. Não havia rejeição, apenas uma curiosidade cautelosa. Sentei-me na beirada da cama e comecei a falar sobre uma pequena estrela que se perdeu do céu e encontrou abrigo em uma floresta mágica. Enquanto eu falava, peguei uma escova e comecei a pentear seus fios negros com delicadeza. Mia soltou um suspiro longo, o primeiro sinal de relaxamento. Aos poucos, ela foi se inclinando, até apoiar a cabeça no meu colo. — Minha mãe também
Ler mais