Mundo de ficçãoIniciar sessãoSerena Moretti sempre soube que seu destino seria selado por um casamento estratégico dentro da máfia. Criada entre alianças e lealdades perigosas, ela nunca acreditou que teria escolha. Até conhecer Daniel Barone. Herdeiro de uma das famílias mais poderosas do submundo, Daniel é tudo o que se espera de um príncipe da máfia - beleza, força e olhos azuis capazes de intimidar qualquer inimigo. Mas por trás da aparência impecável existe algo ainda mais perigoso: um homem marcado pelo mistério e pela violência, cuja presença desperta em Serena uma atração imediata e impossível de ignorar. Daniel nunca pensou em amor, muito menos em casamento. No entanto, ao conhecer Serena, a filha de um dos capitães da família Barone, ele começa a considerar aquilo que sempre evitou. O problema é que seu irmão já está negociando exatamente essa união - e tudo indica que ele próprio se apaixonou pela jovem. Presos em um jogo de poder, lealdade e desejo, Serena e Daniel se veem separados por um acordo que nenhum dos dois escolheu. Entre negócios perigosos, rivalidades familiares e a ameaça constante da morte, resta apenas uma pergunta: o tempo é capaz de apagar uma paixão que nunca deveria ter começado?
Ler maisO zumbido suave dos motores do jato particular era a única coisa que quebrava o silêncio da cabine, mas não era o suficiente para abafar a ansiedade que se formava em meu peito. A costa da Califórnia já se desenhava no horizonte, banhada pelo sol dourado do fim de tarde, marcando meu retorno. Deixar a Itália, os anos de estudo na Europa e os meses tranquilos na vila da minha avó materna, significava voltar para a realidade.
Eu sou uma Moretti. Filha de Roberto Moretti, um dos principais capitães da família Barone. E no nosso mundo, filhas não têm escolhas e eu sabia exatamente o que meu retorno significava. Meu pai provavelmente já havia mapeado meu futuro, escolhido um noivo adequado ou preparado o terreno para me exibir no meio, aguardando a aliança mais vantajosa. Homens como ele não trazem suas filhas de volta para casa sem um propósito estratégico.
Olhei para a poltrona à frente. Minha mãe folheava uma revista de moda europeia, a postura impecável, o rosto sereno e incrivelmente bonito. Ela era a personificação da elegância, uma mulher que havia dominado a arte de sobreviver em um mundo de homens implacáveis.
Assim que desembarcamos na pista privativa, a brisa quente da Califórnia nos atingiu. Imediatamente, notei o destacamento de homens de terno escuro nos aguardando. Eram soldados dos Barone. Enquanto alguns deles prontamente começavam a transferir nossas malas para um SUV blindado, outro carro se aproximou lentamente pela pista.
Um sorriso de alívio ameaçou despontar nos meus lábios quando reconheci o veículo. Um imponente Bentley, era o carro pessoal do meu pai. Roberto Moretti era um homem que vivia no banco de trás de sedãs executivos, conduzido por seguranças, mas, naquelas raras ocasiões em que queria bancar o patriarca e ter um momento apenas com a família, ele mesmo assumia o volante do SUV britânico. E ali estava ele, vindo nos encontrar.
Nota da Autora: Queridas leitoras, passando para dizer que é um prazer tê-las por aqui, e que as atualizações serão diárias até a conclusão do livro! Boa leitura!
O carro parou a poucos metros de nós. A porta do motorista se abriu e eu dei um passo à frente, esperando encontrar os olhos duros, porém familiares, do meu pai.
Mas não foi Roberto quem desceu do carro.
O homem que se ergueu do banco do motorista fez o ar da pista ficar subitamente mais rarefeito. Ele usava um terno de corte impecável que abraçava ombros largos e uma postura que exalava um poder natural, quase casual. O maxilar marcado, os traços fortes, o cabelo escuro perfeitamente alinhado. Era o tipo de beleza letal que exigia atenção imediata.
Minha mãe retirou os óculos de sol discretamente. Uma ponta de surpresa cruzou seus olhos antes que um sorriso polido curvasse seus lábios. — Daniel Barone — ela murmurou, mais para si mesma do que para mim. O herdeiro em pessoa.Ele se aproximou com passos calculados e retirou os próprios óculos escuros. Foi apenas um segundo, mas antes de focar na minha mãe, os olhos escuros e intensos de Daniel cruzaram os meus. Houve uma faísca fria que me desarmou antes que ele desviasse a atenção, perfeitamente impassível.
— Senhora Moretti. É um prazer vê-la novamente — a voz dele era profunda, formal, mas envolta em uma gentileza calculada.
— O prazer é meu, Daniel — ela respondeu, estendendo a mão que ele aceitou com um cumprimento respeitoso. — Deixe-me apresentar minha filha. Serena, este é Daniel Barone.
Ele inclinou levemente a cabeça, uma cortesia discreta e elegante.
— Bem-vinda de volta à Califórnia, Serena.— Obrigada, Sr. Barone — respondi, lutando para manter o tom neutro e mascarar minha total confusão. O que o futuro chefe da máfia fazia com as chaves do carro do meu pai?
Como se lesse a minha mente, ele voltou-se para a minha mãe, mas falou alto o suficiente para me incluir.
— Roberto pediu que eu lhes apresentasse suas desculpas. Houve um... pequeno atrito esta manhã. Nada que ele não possa resolver, mas exigiu uma reunião de emergência com os associados. Sabendo que ele não conseguiria sair a tempo, e como eu estava na propriedade resolvendo algumas questões, me ofereci para vir buscá-las.A menção a um "atrito" fez meu estômago despencar. Na nossa língua, isso significava sangue derramado. As palavras escaparam da minha boca antes que eu pudesse freá-las.
— Meu pai... ele está bem?Os olhos de Daniel voltaram para mim. A formalidade fria em seu rosto cedeu espaço a um brilho perigoso, quase predatório, misturado a um profundo respeito. O canto dos lábios dele ergueu-se de uma forma que fez meu coração errar a batida.
— Seu pai não é o tipo de homem com quem se deva se preocupar em uma disputa, Serena — ele respondeu, a voz carregada de uma certeza sombria. — Acredite, quem está do outro lado da mesa hoje é quem precisa de rezas. Roberto é implacável.A resposta foi perfeita. Ele não me tratou como uma criança frágil que precisava ser poupada da verdade, e deixou claro que o homem que eu chamava de pai era temido no submundo.
Ele nos conduziu até o carro. Quando cheguei à porta de trás, Daniel adiantou-se, abrindo-a para mim. A proximidade repentina trouxe o cheiro de sua colônia amadeirada, misturada com algo metálico e singular. Nossos braços quase se roçaram quando entrei. Havia uma tensão densa ali, uma energia que fez os pelos da minha nuca se arrepiarem enquanto eu me acomodava no banco de couro.
Minha mãe tomou o assento da frente, ao lado dele, e logo o Bentley estava em movimento. Os dois engataram em uma conversa leve. Relegada ao silêncio do banco de trás, limitei-me a observar.
Era fascinante, e um pouco assustador, ver Daniel dirigindo o carro do meu pai. Ele não parecia um motorista prestando um favor; ele parecia um rei que havia pegado emprestado o cavalo de um de seus generais. As mãos grandes, de veias marcadas, seguravam o volante com uma firmeza absoluta. De repente, minha mãe disse algo, confesso que nem sequer estava atenta ao que eles diziam, e ele riu. O som da risada de Daniel Barone, baixa, rouca e surpreendentemente genuína.
Foi nesse exato momento que levantei o rosto. E, pelo espelho retrovisor, percebi que ele não estava olhando para a estrada. Os olhos escuros estavam cravados em mim.A quebra desse contato visual só ocorreu quando o toque suave do sistema de comunicação do carro soou. No painel digital, o nome Marco piscou. Vi minha mãe endireitar a postura quase imperceptivelmente. Marco Barone não era apenas o tio de Daniel; era o consigliere da família.
Daniel tocou um botão no volante, aceitando a chamada no viva-voz.
— Daniel, nipote mio — a voz de Marco, descontraída e no controle. — Fale, Marco — Daniel respondeu, os olhos novamente fixos na estrada. — Só ligando para confirmar que nosso problema logístico foi resolvido. A liberação no Porto de Long Beach foi concluída. Os contêineres que esperávamos acabaram de atracar, tudo muito... pacífico e dentro dos conformes. — Ótimo. Cuidarei da inspeção pessoalmente amanhã cedo. — Perfeito. E não se esqueça do nosso almoço no Il Giardino às duas. O chef já reservou a sala privada. — Estarei lá. Ciao, zio. Ele encerrou a chamada. Tentei olhar pela janela com desinteresse, mas minha mente registrava tudo. O Porto de Long Beach era a principal rota da costa oeste, se os Barone movimentavam carga por lá, o negócio era massivo.Sem perder o ritmo, Daniel apertou outro botão. A voz do outro lado atendeu com um seco e formal: "Chefe."
— Como está o movimento na via expressa, Carlo? — Daniel perguntou, o tom agora estritamente tático.— Trânsito pesado na 405, chefe. E um dos batedores notou dois sedãs escuros rodando em círculo perto da saída principal. Pode ser coincidência, mas as placas são de fora.
— Não acreditamos em coincidências. Vou fazer o desvio. Mantenha os batedores na retaguarda do SUV das malas e limpe o perímetro.
Com um giro firme no volante, o Bentley abandonou a rota principal, embrenhando-se por uma estrada secundária e sinuosa. Eu conhecia aquele caminho. Estávamos subindo em direção a Pacific Palisades, um refúgio de bilionários nas colinas com vista para o Pacífico, onde mansões se escondiam atrás de muros impenetráveis. O cenário perfeito para um capo como meu pai: luxo escandaloso aliado à privacidade fortificada que a máfia exigia.O SUV deslizou até os imensos portões de ferro forjado da nossa propriedade, subindo o caminho de cascalho ladeado por ciprestes até a estrutura de inspiração toscana. A governanta e as criadas já desciam a escadaria para receber minha mãe.
Daniel desceu do carro e caminhou até o chefe de segurança do meu pai, que o aguardava com uma postura rígida. Permaneci perto da porta do carro. — Quero a troca da guarda feita agora — Daniel ordenou, a voz carregada de uma autoridade absoluta. — Dobre a vigilância no portão sul e cheque os arredores. Ninguém entra ou sai sem a autorização direta do Roberto. Fui claro?— Sim, Sr. Barone. O relatório estará no sistema em dez minutos.
Daniel assentiu com um aceno curto. Virou-se para voltar ao lado do motorista, entregando as chaves do Bentley a um dos guardas da casa, mas seus passos desaceleraram por uma fração de segundo. Por cima do teto do SUV, antes de caminhar em direção ao carro da própria escolta que o aguardava, seus olhos encontraram os meus mais uma vez. Não havia sorriso. Apenas um olhar escuro, insondável e perigosamente atento, que pareceu me ler por inteira antes que ele entrasse no próprio veículo e desse a partida, sumindo pelo caminho de cascalho.
Romano abriu caminho pelo salão com o sorriso de quem acreditava controlar cada pessoa sob o próprio teto.Eu nasci e cresci em um meio onde homens como ele circulavam entre os nossos e faziam questão da nossa aprovação.Gostavam de luz baixa, bebida cara e mulheres bonitas circulando perto o bastante para distrair, mas não o suficiente para interferir nas conversas que realmente importavam. Gostavam de chamar aquilo de hospitalidade. De fazer os outros acreditarem que uma mansão cheia, uma mesa farta e portas fechadas no andar de cima eram sinais de poder.Para mim, era só barulho.Serena caminhava ao meu lado. A mão dela permanecia no meu braço, leve, mas eu sentia a tensão nos dedos. Sutil. Desde o momento em que ela entrou na sala da cobertura com aquele vestido preto, eu vinha percebendo cada tentativa dela de parecer menos nervosa do que realmente estava.E, ainda assim, tinha vindo.Por mim.A ideia se acomodou no meu peito de um jeito inconveniente.Romano falava qualquer cois
Abri a porta do quarto e parei por um instante no corredor que levava à sala. A cobertura estava silenciosa, exceto pelas vozes baixas que vinham adiante. Segui o som, tentando não pensar demais no vestido ou na mensagem que ele passava.Daniel estava perto das janelas, de costas para mim, com um copo de uísque em uma mão. O terno risca de giz se ajustava aos ombros largos como se tivesse sido feito para aquele tipo de noite: pouca luz, a cidade iluminada vista do alto e homens falando de negócios em voz baixa.Massimo estava alguns passos à frente dele, sem paletó, com a gravata afrouxada e a expressão de quem acabara de voltar de alguma rota ou clube e agora reportava tudo ao chefe.— Então ele realmente tentou esconder a mercadoria na câmara fria? — Daniel perguntou, sem se virar.— Tentou — confirmou Massimo. — No meio de caixas de robalo. Achou que ninguém procuraria peixe às duas da manhã.Daniel girou o uísque no copo.— E alguém procurou?— Um dos nossos desconfiou. E, na dúvi
Fechei a porta do quarto com mais força do que o necessário e fiquei encostada nela por um segundo, a mão ainda na maçaneta, como se Daniel Barone pudesse entrar a qualquer momento sem sequer bater.Trinta minutos.Trinta minutos para tomar banho, escolher uma roupa e reconstruir alguma versão minimamente digna de mim mesma depois de ter sido flagrada cantando a plenos pulmões, descalça, com uma escova de cabelo na mão.— Inacreditável — murmurei para o quarto vazio.Tirei o short e a camiseta, deixei os dois numa cadeira e entrei no banheiro antes que a vergonha tivesse tempo de assentar de vez. Abri o chuveiro no quente e fechei os olhos quando a água desceu pelos ombros. Por alguns segundos, tentei fingir que aquilo bastava. Que calor e vapor fossem suficientes para apagar a imagem dele parado na porta, a voz baixa dizendo o suficiente, o quase-sorriso, e a frase pior de todas:Eu estaria com você o tempo todo.Passei o shampoo com mais força do que o necessário. Enxaguei. Respirei
Eu não pretendia parar na porta.Tinha ido até o quarto de Serena apenas para avisar que sairia por algumas horas e que, se Caterina precisasse de qualquer coisa enquanto eu estivesse fora, bastava pedir a uma das funcionárias. Então ouvi música.Não alta o bastante para atravessar o apartamento inteiro, mas o suficiente para escapar pela porta entreaberta do quarto dela. Algo naquela cantoria me parecia familiar, impossível não reconhecer a letra grudenta de uma famosa artista pop. Dua Lipa.Parei antes de entender o que estava vendo. Foi só um segundo.O bastante para ver Serena, diante da cama desfeita e de algumas roupas espalhadas, com os fones nos ouvidos e uma escova de cabelo na mão como se aquilo fosse um microfone. Tinha o cabelo preso de qualquer jeito, um short simples, uma camiseta justa, e os pés descalços no tapete claro do quarto. Estava dançando. Não de forma ensaiada, mas sem dúvida nenhuma, graciosa. E talvez fosse exatamente isso que tornasse impossível não olhar





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