Mundo ficciónIniciar sesiónos de gelo. Mas ela cometeu um erro imperdoável: apaixonou-se pelo homem que jamais deveria desejar. Alexander Blackwood não acredita em amor. Para ele, confiança é fraqueza, desejo é distração e sentimentos são riscos que precisam ser controlados. Ainda assim, Emma se torna a única mulher capaz de atravessar suas defesas. Uma noite de paixão muda tudo entre eles — intensa, proibida e impossível de esquecer. Na manhã seguinte, porém, Alexander volta a ser o homem frio que o mundo conhece. E Emma entende, tarde demais, que entregou o coração a alguém incapaz de protegê-lo. Quando um vazamento milionário ameaça destruir a Blackwood Global, todas as provas apontam para Emma. Humilhada, acusada e rejeitada pelo homem que amava, ela vê sua reputação desmoronar diante de todos. Alexander, pressionado pelo império que construiu e pelos fantasmas do próprio passado, comete o erro que pode custar tudo: duvida dela. Sozinha, ferida e carregando um segredo que mudará suas vidas para sempre, Emma foge. Ela está grávida. Grávida do CEO bilionário que a rejeitou. Enquanto Emma tenta reconstruir sua vida longe de Nova York, Alexander começa a descobrir que a mulher que ele condenou pode ter sido vítima de uma armação cruel. Traições, mentiras corporativas, uma ex-noiva vingativa e um inimigo escondido dentro da própria família Blackwood revelam que Emma foi usada como peça em um jogo de poder. Mas limpar o nome dela talvez não seja suficiente. Porque a confiança que Alexander destruiu não pode ser comprada com dinheiro, protegida por seguranças ou recuperada com uma simples declaração pública. Agora, o homem que sempre teve tudo precisará aprender a fazer a única coisa que nunca soube: amar sem possuir.
Leer másÀs seis e quarenta da manhã, quando a maior parte de Manhattan ainda parecia presa entre o sono e a pressa, Emma Collins já estava no quadragésimo oitavo andar da Blackwood Global.
O céu atrás das paredes de vidro começava a clarear em tons frios de azul e prata. Lá embaixo, Nova York se movia com sua arrogância habitual: táxis amarelos cortando avenidas, pedestres apressados segurando copos de café, fachadas de prédios refletindo uma manhã que prometia ser tão implacável quanto todas as outras.
Emma gostava daquele horário.
Não porque amasse acordar antes do sol, nem porque tivesse alguma ilusão romântica sobre trabalhar demais. Gostava porque, antes que os telefones começassem a tocar, antes que executivos arrogantes ocupassem as salas de reunião e antes que o nome de Alexander Blackwood fosse pronunciado com medo por metade do andar, havia silêncio.
E o silêncio era uma das poucas coisas que ela podia controlar.
Ela atravessou o corredor principal com passos firmes, equilibrando uma pasta de couro contra o peito e segurando um copo de café preto na outra mão. Seu salto baixo produzia um som discreto contra o piso de mármore, quase engolido pelo zumbido distante do sistema de ar-condicionado.
A recepção executiva ainda estava vazia. As luzes automáticas se acenderam conforme ela passou. Mesas impecáveis, telas desligadas, poltronas caras demais para serem confortáveis. Tudo na Blackwood Global parecia ter sido escolhido para intimidar: o mármore escuro, o aço polido, o vidro sem cortinas, as obras de arte abstratas que provavelmente custavam mais do que o apartamento inteiro de Emma.
Ela parou diante da própria mesa, ao lado das portas duplas que levavam ao escritório de Alexander Blackwood.
Como fazia todas as manhãs, respirou fundo.
E começou.
Primeiro, ligou o computador. Depois, organizou os relatórios da reunião das oito. Conferiu os e-mails prioritários, separou os documentos do contrato de aquisição da empresa de biotecnologia em Boston, verificou a agenda internacional e cancelou, pela terceira vez naquela semana, uma tentativa insistente de jantar feita por Vanessa Hart.
Ao ver o nome da ex-noiva de Alexander na tela, Emma apertou os lábios.
Vanessa Hart solicita confirmação de jantar com o Sr. Blackwood. Assunto: pessoal.
Emma leu a mensagem duas vezes, embora não precisasse.
Vanessa sempre escrevia daquela forma. Curta. Elegante. Como se cada palavra tivesse sido treinada para parecer casual e superior. Como se ainda tivesse direito a alguma parte da vida de Alexander.
Emma moveu o e-mail para a pasta de pendências pessoais, embora soubesse exatamente qual seria a resposta dele.
Não.
Alexander Blackwood dizia muitos nãos. A investidores. A jornalistas. A sócios. A políticos. A mulheres. À família. A qualquer coisa que ameaçasse entrar em um espaço que ele havia decidido manter vazio.
Emma sabia disso melhor do que ninguém.
Havia três anos, ela era a secretária executiva dele. Três anos organizando sua vida com uma precisão quase cirúrgica. Três anos aprendendo que Alexander preferia café sem açúcar, reuniões de aquisição antes das dez da manhã, carros pretos sem motorista conversador, relatórios com no máximo duas páginas e silêncio absoluto depois de uma ligação difícil com o pai.
Três anos observando o homem mais poderoso que já conhecera fingir que não precisava de ninguém.
E três anos escondendo de si mesma uma verdade inconveniente, humilhante e cada vez mais difícil de ignorar.
Emma Collins era apaixonada por Alexander Blackwood.
Não de um jeito ingênuo. Não com suspiros bobos ou sonhos de conto de fadas. Ela não imaginava que ele entraria um dia pela porta com flores, se declararia diante de todos e a escolheria acima do império.
Emma não era burra.
Ela conhecia a distância entre eles.
Alexander era dono de arranha-céus, jatos particulares, fundos de investimento e manchetes em revistas de negócios. Emma tinha um apartamento alugado no Queens, uma pilha de contas médicas atrasadas da mãe falecida e um armário com três blazers bons que revezava durante a semana.
Ele nasceu para comandar salas.
Ela aprendeu a sobreviver dentro delas.
Mesmo assim, havia algo em Alexander que a atraía contra toda lógica. Talvez fosse o modo como ele escutava sem demonstrar que escutava. Talvez fosse a solidão que aparecia em seus olhos quando achava que ninguém estava olhando. Talvez fosse porque, por trás da voz cortante, dos ternos impecáveis e da frieza que assustava todos ao redor, Emma enxergava um homem ferido.
E homens feridos eram perigosos.
Principalmente quando tinham olhos cinzentos capazes de fazer uma mulher esquecer o próprio bom senso.
Ela colocou o café dele exatamente no lugar habitual: lado direito da mesa, a dez centímetros do notebook, com a alça da xícara virada para fora. Alexander não pedia esse cuidado. Nunca agradecia por ele. Mas, se algo estivesse fora do lugar, percebia.
Ele percebia tudo.
Emma abriu as persianas automáticas do escritório, deixando a luz da manhã entrar sobre a mesa escura de madeira italiana. O escritório de Alexander era amplo demais para um homem só. Tinha uma parede inteira de vidro com vista para Manhattan, uma estante minimalista com poucos livros e muitos prêmios, uma mesa de reuniões para doze pessoas e, atrás da mesa principal, uma cadeira de couro preta que parecia mais um trono moderno do que um móvel corporativo.
Ela deixou os relatórios alinhados por ordem de urgência.
Aquisição de Boston.
Reestruturação da filial de Londres.
Proposta de expansão na Ásia.
Convite para conferência em Chicago.
Ao tocar nesse último documento, Emma hesitou.
Chicago.
A conferência começaria na semana seguinte, e Alexander ainda não havia decidido se iria pessoalmente. Provavelmente iria. Ele sempre comparecia quando havia algo grande em jogo. E, se fosse, ela também iria. Secretárias executivas não tinham muito espaço para discutir viagens de trabalho, especialmente quando o chefe era Alexander Blackwood.
Emma tentou ignorar o pequeno aperto no estômago.
Viajar com ele era sempre pior.
No escritório, havia paredes, portas, funcionários, horários, distrações. Em viagens, havia aviões privados, quartos no mesmo hotel, jantares longos demais, madrugadas trabalhando lado a lado, e aquele tipo de proximidade perigosa que fazia Emma esquecer por alguns segundos que Alexander era seu chefe.
E que ela era apenas sua secretária.
Apenas.
A palavra a incomodou mais do que deveria.
Ela saiu do escritório e voltou para a própria mesa. Abriu a agenda dele, conferiu as últimas alterações e começou a preparar as anotações para a primeira reunião. Às sete e dez, o andar já ganhava vida. Assistentes chegavam carregando pastas, analistas falavam baixo ao telefone, a equipe de comunicação atravessava o corredor com expressões tensas.
Quando Alexander estava prestes a chegar, o prédio inteiro parecia mudar de postura.
Emma sempre achou isso fascinante e um pouco triste.
Um homem não deveria ter o poder de alterar a respiração de tantas pessoas apenas entrando em um ambiente.
Mas Alexander Blackwood tinha.
Às sete e vinte e nove, o elevador privativo abriu com um som baixo.
Emma não precisou olhar para saber que era ele.
O ar mudou.
Era ridículo, ela sabia. Dramático até. Mas acontecia sempre. Antes mesmo de vê-lo, ela sentia sua presença. Um peso elegante, frio, dominante. Como se o mundo, por puro instinto, abrisse espaço.
Alexander saiu do elevador vestido em um terno preto perfeitamente ajustado, camisa branca sem gravata e um sobretudo escuro apoiado no braço. Seus cabelos castanho-escuros estavam levemente úmidos, penteados para trás com a precisão de alguém que não permitia nem ao próprio reflexo qualquer indisciplina. O rosto era bonito de uma forma severa: mandíbula marcada, boca firme, nariz reto, olhos cinzentos quase metálicos.
Ele parecia ter sido esculpido para intimidar.
E conseguia.
Dois analistas que vinham pelo corredor diminuíram a voz imediatamente. Uma assistente derrubou uma caneta e quase pediu desculpas ao chão. O diretor financeiro, que acabara de sair de uma sala lateral, endireitou os ombros como um soldado diante de um general.
Alexander não olhou para nenhum deles.
Depois se levantou.Dessa vez, quando a beijou, não havia pressa.Não havia segredo.Não havia vergonha.Havia escolha.E isso fez toda a diferença.O casamento aconteceu três meses depois.Não em Manhattan.Não em uma catedral cheia de investidores.Não em um salão onde Richard pudesse transformar presença em poder.Foi em Maple Creek, no jardim atrás da livraria de Hannah.Havia flores silvestres, cadeiras de madeira, luzes penduradas entre árvores e uma pequena mesa de livros onde os convidados escreviam mensagens para Grace ler no futuro.Emma usou um vestido simples, de renda delicada, com mangas leves e um véu curto. Grace, no colo de Olivia, usava um vestido branco e uma expressão desconfiada diante de tanta atenção.Alexander esperou no fim do corredor improvisado entre as cadeiras.Quando viu Emma, chorou.Sem tentar esconder.Ryan, ao lado dele como padrinho, murmurou:— Controle-se. As fotos vão ficar caras.Alexander respondeu:— Cale a boca.Mas sorria.Emma caminhou até
— Você comprou uma casa em Maple Creek.Alexander parecia quase nervoso.— Sim.— Sem me perguntar?Ele respirou.— Comprei para mim. Não para você. Não espero que more aqui. Não é pressão. É apenas... quando venho, quero ficar em um lugar que não seja hotel. E quero que Grace tenha um quarto aqui, se você permitir.Emma olhou para a casa.Era bonita.Simples.Humana.— Sem quarto de princesa exagerado?— Sem. Hannah supervisionou.— Isso explica o papel de parede com estrelas?— Ela disse que era obrigatório.Emma sorriu.— É bonito.Alexander relaxou um pouco.— Você pode entrar se quiser. Ou não.Emma olhou para ele.Depois para Grace.— Vamos entrar.A casa cheirava a madeira antiga e tinta nova. Havia livros nas estantes, uma cozinha clara, uma sala com tapete macio e, no quarto de Grace, o livro do urso e da estrela em cima de uma cômoda branca.Emma tocou o berço.— Você está criando raízes aqui.Alexander ficou perto da porta.— Estou tentando não arrancar as suas.Ela virou-s
Quando chegaram à casa de hóspedes, havia flores na varanda.Não rosas brancas.Não arranjos caros.Flores silvestres em potes de vidro, colocadas por vizinhos que Emma mal conhecia, mas que haviam decidido adotar Grace como bebê oficial da rua principal.Mrs. Avery deixara um bilhete:Para Grace Collins Blackwood: sua carteirinha da biblioteca estará pronta quando conseguir sustentar a cabeça.O padeiro deixara pão fresco.A dona da farmácia deixara chá para amamentação, com uma anotação dizendo “verifique com sua médica, não com a internet”.Emma leu tudo com Grace nos braços e começou a chorar.— Hormônios? — perguntou Hannah, emocionada também.— Talvez — disse Emma. — Ou talvez seja só bonito.Alexander estava alguns passos atrás, segurando a bolsa do hospital e olhando para a varanda como se aquela pequena casa fosse mais imponente do que qualquer mansão que já possuíra.— Eles gostam de você — disse ele.Emma enxugou o rosto.— Acho que gostam dela.— Também. Mas gostam de você
As palavras atingiram Emma com força.Eu sou seu pai.Não herdeiro.Não legado.Não Blackwood.Pai.Alexander continuou, a voz quebrada:— Eu vou errar. Provavelmente muito. Mas vou aprender. E sua mãe... sua mãe é a pessoa mais corajosa que eu conheço. Você vai saber disso todos os dias.Emma virou o rosto para a janela, chorando silenciosamente.Ele não estava falando para impressioná-la.Estava falando com a filha.E, por isso, importava mais.Quando Grace adormeceu nos braços dele, Alexander finalmente olhou para Emma.— Obrigado.Ela estava cansada demais para fingir não entender.— Por ela?— Por ela. Por me deixar estar aqui. Por não ter desistido de si mesma. Por... tudo que não sei dizer sem parecer pequeno.Emma observou o rosto dele.O homem de meses atrás teria tomado aquele momento como posse.Este parecia recebê-lo como presente.— Você foi bem hoje — disse ela.Ele soltou uma risada baixa.— Eu fiquei apavorado.— Eu também.— Você foi extraordinária.— Eu xinguei você.





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