Mundo de ficçãoIniciar sessãoDepois da morte do pai, Olivia Parker faz de tudo para cuidar da irmã mais nova. Mas quando descobre que ela está devendo dinheiro a pessoas perigosas por causa das drogas, Olivia se vê sem saída. Sebastian Hale, um bilionário frio e arrogante, decide pagar a dívida… com uma condição: Olivia deverá trabalhar em sua mansão até quitar cada centavo. Agora vivendo sob o teto de um homem acostumado a mandar em todos, Olivia precisa suportar humilhações, regras duras e a presença constante do bilionário. O que nenhum dos dois esperava… era que aquela convivência forçada mudaria tudo entre eles.
Ler maisOlivia
O cheiro forte de água sanitária já estava impregnado nas minhas mãos quando eu terminei de esfregar o chão da cozinha.
Era a terceira vez que eu passava o pano naquele mármore que já brilhava o suficiente para servir de espelho. A dona da casa gostava assim. Tudo impecável. Perfeito.
Endireitei as costas devagar, sentindo a dor familiar puxar minha lombar.
A casa era enorme. Grande demais para uma única pessoa morar ali. Armários cheios, eletrodomésticos caros, uma geladeira abarrotada de comida que provavelmente acabaria no lixo.
Enquanto isso, no pequeno apartamento onde eu morava com minha irmã… às vezes faltava até leite.
Suspirei e mergulhei o pano no balde mais uma vez.
Nos últimos dois anos minha vida tinha virado isso. Faxina em casas luxuosas durante o dia e mais dois pequenos trabalhos sempre que apareciam.
Tudo para manter as contas pagas.
Ou pelo menos tentar.
Desde que meu pai morreu.
Meu peito apertou com o pensamento.
Ainda consigo ver o quarto branco do hospital se fechar quando lembro daquele dia. O som das máquinas, o cheiro de remédio no ar, a mão dele apertando a minha com pouca força.
Pneumonia severa.
Foi o que disseram.
Mas eu sabia que não era só isso.
Meu pai passou a vida inteira trabalhando até a exaustão para cuidar de mim e da minha irmã.
Desde o dia em que nossa mãe morreu.
No parto dela.
Eu tinha quatro anos quando Chloe nasceu… e levou nossa mãe embora no mesmo dia.
Depois disso, sempre fomos apenas nós três.
Meu pai costumava sorrir e dizer:
— Nós somos um time.
E durante muito tempo eu acreditei nisso.
Até dois anos atrás.
— Pode deixar o balde aí quando terminar.
A dona da casa disse passando pela cozinha, já com a bolsa no braço.
— Estou saindo.
— Claro.
Respondi.
Ela nem olhou para mim.
Eu também já estava acostumada com isso. Terminei o que faltava, lavei o pano e saí da casa pouco antes do fim da tarde.
Minhas mãos estavam ardendo e meus ombros pesados quando entrei no ônibus. Encostei a cabeça no vidro e fechei os olhos por alguns segundos.
Meu celular vibrou no bolso.
Uma mensagem da Chloe.
"Você já está vindo?"
Franzi a testa.
Minha irmã não costumava mandar mensagens assim.
"Sim. Chego em meia hora."
A mensagem ficou visualizada… mas ela não respondeu.
Uma sensação estranha começou a se formar no meu peito.
Quando finalmente desci do ônibus e caminhei até o prédio velho onde morávamos, aquela sensação já tinha virado um aperto desconfortável.
Subi as escadas rápido e abri a porta do apartamento.
— Chloe?
Chamei.
Silêncio.
Então eu a vi. Sentada no chão da sala, encostada no sofá.
Meu coração parou.
— Chloe?!
Corri até ela.
O lábio dela estava cortado. Um hematoma escuro começava a aparecer perto do olho.
Meu estômago virou.
— Meu Deus… o que aconteceu com você?
Ela tentou sorrir, mas saiu torto.
— Não é nada…
— Não mente pra mim.
Ela desviou o olhar.
E então começou a chorar.
— Liv… eu fiz uma coisa muito idiota.
Senti um frio percorrer meu corpo.
— Que coisa?
Ela passou a mão pelo rosto tremendo.
— Eu devia dinheiro pra umas pessoas.
Pisquei.
— Devia dinheiro?
Minha voz saiu mais fraca do que eu queria.
— Do que você está falando?
Ela respirou fundo, como se estivesse reunindo coragem.
— Eu… comecei a sair com umas pessoas … depois que o papai morreu… e…usar umas coisas.
Ela parou.
Mas eu já sabia.
Antes mesmo de ouvir. Ela estava estranha e eu suspeitava disso,só não queria acreditar.
— Tá me dizendo que...
Falei.
Ela fechou os olhos.
— Peguei uma grana emprestada e depois um pouco mais e quando vi a dívida tinha dobrado. E agora eles querem que eu pague tudo.
Por um momento eu não consegui dizer nada.
Pensei nas contas do hospital que ainda pago todos os meses. No aluguel. Nos meus três empregos.
E agora isso.
— Quanto?
Perguntei.
Ela demorou a responder.
— Chloe.
Ela olhou para mim, os olhos cheios de lágrimas.
— Cinco mil.
Soltei o ar devagar.
Era muito dinheiro.
Mas talvez… talvez eu conseguisse dar um jeito.
— Eu vou arrumar.
Ela balançou a cabeça imediatamente.
— Não… Liv… você não entendeu.
Meu coração começou a bater mais rápido.
— Então me explica.
Ela apertou o próprio braço machucado.
— Os cinco mil eram só o começo.
Senti um frio subir pela minha espinha.
— Agora são quinze.
O mundo pareceu ficar silencioso por um segundo.
Quinze mil dólares.
— E eles disseram…
Ela sussurrou.
Me aproximei dela com cuidado.
— Disseram o quê?
Ela começou a tremer.
— Que se eu não pagar… eles voltam.
Meu coração apertou.
— E dessa vez… não vão só bater.
O silêncio que caiu sobre o apartamento pareceu esmagar meus pulmões.
Olhei ao redor da nossa pequena sala. As paredes gastas. O sofá velho que herdamos de um vizinho.
Tudo o que tínhamos. Tudo o que restou do nosso time. Meu pai não estava mais aqui.
Agora era só eu. e ela
E pela primeira vez desde a morte dele… o desespero tomou conta de mim.
Porque não importa o quanto eu trabalhasse…
quinze mil dólares era um dinheiro que eu simplesmente não tinha.
Eu mal consegui dormir.Passei a noite acordando, olhando para a Chloe naquela cama de hospital. Conferindo se ela ainda estava ali. Se ainda estava respirando. Eu sentia que ainda tinha tempo... mas que ele estava acabando.Na manhã seguinte, o médico deu a alta. Repouso absoluto. Voltamos para casa e ela apagou na mesma hora. Exausta. Frágil.E eu fiquei ali. Sentada ao lado dela, com o celular na mão. Esperando. Como se aquilo fosse mudar o mundo.E então, ele atendeu.A voz dele ainda me causava aquele efeito estranho. Calma, firme, sob controle.— Senhor Hale… você ainda tem interesse nos meus serviços?Houve um silêncio. Um segundo que durou uma eternidade.— Tenho, sim.Meu coração disparou. Prendi a respiração sem notar.— Ótimo — ele continuou. — Podemos conversar hoje à tarde. Às quatro. Não se preocupe com transporte, vou mandar um motorista buscar você. Me mande o endereço.— Certo.Passei o endereço, anotei o horário e a ligação caiu. Simples assim. Mas nada dentro de mim
OliviaO ar aqui fora estava extremamente pesado. Ou talvez fosse apenas eu, sentindo o peso de cada degrau enquanto descia. Cada passo parecia carregar o peso da decisão que eu havia acabado de tomar.Aquela chance. Aquela oportunidade.Fechei os olhos por um instante, sentindo a cabeça latejar.— Idiota…Murmurei para mim mesma.Mas eu sabia que não era falta de inteligência. Eu não podia simplesmente virar as costas e deixar Chloe enfrentar tudo sozinha. Não depois de tudo o que vivemos. Não depois das promessas que fiz. Ainda assim… doía profundamente dizer não.Coloquei a mão na bolsa e senti o papel entre os dedos. O cartão. Parei no meio da calçada e o retirei. Sebastian Hale. O nome parecia imponente, impresso em letras elegantes. Fiquei observando por alguns instantes, refletindo.“Excelente salário.” A voz dele ainda ecoava na minha mente.Apertei o cartão na mão, guardei-o novamente na bolsa e continuei andando. Eu não tinha escolha. No meu mundo, nunca temos.O restante do
OliviaEu estava nervosa. Muito mais do que na primeira entrevista. E isso não fazia sentido… porque, dessa vez, eu tinha uma chance real. Ou pelo menos… era o que eu achava. Assim que entrei naquela sala enorme, senti como se estivesse em outro mundo.Tudo ali era grande demais. Elegante demais. Caro demais. E eu…Pequena demais.— Sente-se.A voz dele me fez estremecer por dentro. Grave. Firme. Difícil de ignorar.— S-sim, senhor.Sentei-me rapidamente, com cuidado, tentando não fazer nenhum movimento errado. Minhas mãos estavam frias. Eu as entrelacei sobre o colo para esconder o leve tremor.— Eu disse que tinha uma proposta para você.Meu coração acelerou. Era isso. Era o momento. Respirei fundo e me adiantei antes que o silêncio me engolisse.— Eu estou disposta a dar o meu melhor, senhor.Falei rápido demais.— Sempre trabalhei com limpeza, sei me adaptar, posso aprender o que for necessário…Meu Deus, eu estava falando demais. Mas eu precisava daquele trabalho. Precisava mesmo.
SebastianEla parecia nervosa. Dava para ver em cada pequeno gesto. Nos dedos entrelaçados. Na forma como evitava olhar diretamente para mim por muito tempo. Na respiração levemente irregular. Eu observei tudo em silêncio por alguns segundos… apenas absorvendo.— Sente-se.Pedi, apontando para a cadeira à minha frente.Ela obedeceu imediatamente. Claro que obedeceu. A forma como se acomodou, com cuidado, como se tivesse medo de errar até no jeito de sentar… me fez prestar ainda mais atenção. Interessante. Apoiei os braços na mesa, mantendo o olhar fixo nela.— Eu disse que tinha uma proposta para você.Deixei o silêncio se alongar. Propositalmente. Eu gostava de ver o que as pessoas faziam quando não sabiam o que esperar. E Olivia…Ela tentou preencher aquele espaço.— Eu… eu estou disposta a dar o meu melhor, senhor ...Disse rapidamente.— Sempre trabalhei com limpeza, sei me adaptar, posso aprender o que for necessário…Quase interrompi. Quase. Mas deixei que ela terminasse. E, por





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