Mundo de ficçãoIniciar sessãoO ar no banheiro ficou escasso. Saimon ainda segurava Louise contra a parede, mas seus dedos não apertavam mais com luxúria, e sim com uma urgência protetora. A marca dos Kuznetsov no quadril dela queimava sob seus olhos como um aviso de morte. Se Colin visse aquilo, Louise não seria mais uma noiva; seria uma espiã a ser executada.
— Cubra-se. Agora! — Saimon rosnou, puxando um roupão de seda da parede e jogando sobre ela com uma agressividade que Louise não entendeu. Antes que ela pudesse questionar, a porta do quarto estourou contra o batente. Colin Benedict entrou. Ele não bateu. Ele nunca pedia permissão. Ele parou no limite entre o quarto e o banheiro, os olhos cinzas varrendo a cena com uma frieza cirúrgica. Ele viu a água escorrendo, o cabelo molhado de Saimon e a expressão chocada de Louise. — Eu não sabia que tínhamos começado a partilha tão cedo — Colin disse, a voz como uma lâmina deslizando no gelo. — Achei que tivéssemos um acordo, Saimon. Nada de decisões unilaterais. Saimon deu um passo à frente, bloqueando totalmente a visão de Colin sobre o corpo de Louise, escondendo especificamente o lado do quadril onde a marca russa estava. — O acordo é que ela é nossa — Saimon retrucou, o olhar penetrante desafiando o irmão. — Eu só estava garantindo que o "ativo" estivesse limpo e ciente de quem manda aqui. Algum problema, irmão? Colin caminhou até eles, a presença emanando um poder sufocante. Ele parou a centímetros de Saimon. A tensão entre os dois era quase física, como dois lobos disputando o controle da alcateia. — O problema — Colin disse, desviando o olhar para Louise por cima do ombro de Saimon — é que você se deixa levar pelo instinto. Eu vejo uma ferramenta para o meu império. Você vê um par de pernas. Não estrague meus planos por causa do seu tesão, Saimon. — Você não vê nada além de números e poder, Colin — Saimon sorriu, mas era um sorriso sem alegria. — Você não sabe o que fazer com uma mulher como ela. Colin ignorou a provocação e estendeu a mão para Louise, mas Saimon interceptou o movimento, segurando o pulso do irmão no ar. O estalo do contato ecoou no mármore. — Tire a mão — Colin ordenou, o tom de voz baixando uma oitava, o que era sinal de perigo extremo. — Ela está sob minha responsabilidade até o jantar — Saimon mentiu descaradamente, protegendo o segredo dela. — Saia, Colin. Antes que eu esqueça que compartilhamos o mesmo sangue. Colin encarou Saimon por um longo tempo, tentando decifrar o que havia de errado. Ele sentia que o irmão estava escondendo algo, mas não conseguia ver o quê. Por fim, ele recuou, ajustando os punhos do terno caro. — Aproveite o seu tempo, Saimon — Colin disse, olhando fixamente para Louise uma última vez. — Mas lembre-se: no final do dia, se ela não estiver carregando um herdeiro meu, ela não terá utilidade. E eu descarto ferramentas inúteis sem hesitar. Quando a porta finalmente se fechou, Louise soltou o ar que nem percebia que estava prendendo. Ela olhou para Saimon, confusa. — Por que você não contou a ele? Sobre a marca? Saimon se virou para ela. Por um breve segundo, a máscara de carrasco caiu, e ela viu o brilho do jovem que, anos atrás, a tirou de um beco sangrento enquanto a máfia russa avançava. Mas o momento passou rápido. — Porque ele mataria você antes de te dar uma chance de explicar — Saimon agarrou o braço dela, puxando-a para perto. — E porque você é minha, Louise. Mesmo que você ainda não se lembre do porquê. Enquanto Colin caminha pelo corredor, ele pega o celular e liga para um contato misterioso. — Saimon está escondendo algo sobre a garota. Quero o dossiê completo dos Hopper novamente. E quero saber por que meu irmão visitou o orfanato onde ela cresceu dez anos atrás.






