Mundo de ficçãoIniciar sessãoO despertar na mansão Benedict não trouxe paz, apenas a confirmação do pesadelo. Louise encarou o teto alto do quarto monumental, sentindo o peso das correntes invisíveis em seus pulsos. Cada músculo do seu corpo protestava. Ela precisava de água. Precisava lavar o rastro do medo da noite anterior.
Ela se trancou no banheiro de mármore e ligou o chuveiro. A água quente castigava sua pele, mas não conseguia apagar a sensação das mãos de Saimon em seus ombros. Foi quando o vapor começou a embaçar o vidro do box que ela ouviu. Um clique seco. O som da tranca sendo forçada por fora. Louise congelou. O coração saltou contra as costelas como um pássaro enjaulado. Através do vidro fosco, ela viu uma silhueta alta se aproximar. — Saia daqui! — ela gritou, a voz ecoando nos azulejos. A porta do box foi aberta com uma lentidão torturante. Saimon Benedict estava parado ali. Ele não usava o terno da noite anterior. Estava apenas com uma calça de linho preta, descalço. O cabelo preto, de comprimento médio, estava levemente bagunçado, caindo sobre a testa de um jeito propositalmente desalinhado. A barba rala desenhava uma mandíbula agressiva e viril. Mas eram os olhos dele que paralisavam Louise. Eram escuros, profundos e carregados de uma intenção que não deixava espaço para dúvidas. — Eu disse que a caçada começava hoje, boneca — Saimon disse, a voz num tom grave que vibrava no ar úmido. — Esqueceu que nesta casa não existem portas trancadas para mim? Ele não desviou o olhar. Pelo contrário, percorreu o corpo de Louise, da curva do pescoço até os pés, com uma calma predatória. Louise tentou se cobrir com os braços, o rosto queimando de fúria e vergonha. — Você é um animal — ela sibilou, a água escorrendo por seus cabelos loiros. Saimon deu um passo para dentro do box, ignorando a água que começava a molhar sua calça. Ele a encurralou contra a parede fria, prendendo-a com um braço de cada lado. O cheiro dele — uma mistura de sândalo e perigo — invadiu os sentidos dela. — Eu sou o homem que decide se você vai ter uma vida de luxo ou um inferno nesses seis meses — ele inclinou o rosto, a barba rala roçando a bochecha sensível de Louise. — Meu irmão quer um contrato. Eu quero a sua vontade, Louise. Quero ver o momento exato em que esse seu olhar de nojo vai se transformar em súplica. Ele estendeu a mão e, com uma força controlada, segurou o queixo dela, forçando-a a encarar aquele olhar penetrante. — Colin pode até pensar em querer você — ele sussurrou, a voz carregada de uma promessa sombria —, mas você pertence a mim. Louise sustentou o olhar penetrante dele, recusando-se a baixar a cabeça. A mão de Saimon desceu pela cintura dela, mas, ao em vez do toque sedutor que ela esperava, os dedos dele pararam sobre uma pequena marca no seu quadril. Uma cicatriz de queimadura, um símbolo que ela tentava esconder a todo custo. O sorriso de Saimon desapareceu instantaneamente. Ele puxou Louise para mais perto da luz, analisando a marca com fúria nos olhos. — Onde conseguiu isso? — o tom dele agora era mortal. — Esse é o selo dos Kuznetsov. A máfia russa. Louise empurrou o peito dele com força, os olhos azuis faiscando sob a água do chuveiro. — Se você soubesse quem eu realmente sou, Saimon, não teria coragem de entrar neste chuveiro comigo.






