Capítulo 57: À Mesa do Mar

“Alguns reencontros não pedem respostas: pedem silêncio e um copo cheio.” — (Anotação de R.)

A Riva brilhava com aquela luz âmbar do fim de tarde — barcos balançando como cartas nunca enviadas, o vento marítimo sussurrando nomes que só nós dois conhecíamos.

Matheo me esperava numa mesa afastada das outras, camisa clara de linho com as mangas cuidadosamente dobradas até os cotovelos, e aqueles olhos que eu tinha aprendido a decifrar como quem lê mapa náutico: onde afunda, onde flutua, onde encontra porto seguro.

— Você veio.

Não era pergunta. Era constatação carregada de alívio, surpresa e algo mais pesado que não cabia em duas palavras.

— Vim.

Sentei devagar, consciente de cada movimento meu sendo observado, catalogado, guardado.

O garçom se aproximou com o timing perfeito de quem entende de encontros carregados de história, e trouxe um vinho tinto que já carregava nossa memória gravada no rótulo — a mesma garrafa que dividimos na primeira noite em que decidimos que Split seria mais q
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