“Às vezes fechar o passado é só escolher pra onde olhar primeiro.” — (Anotação de R.)
A televisão fala baixo na sala, como quem não quer me assustar.
Não precisa.
Eu já reconheço os sons: o plástico de provas entrando em malotes, o interfone da portaria que toca em coro quando a polícia chega, o “não tenho nada a declarar” repetido em voz de advogado cansado. As legendas correm, os portais pipocam.
A Casa sangra por vários andares ao mesmo tempo. Prisões preventivas. Bens bloqueados. Mandados c