A manhã começou sem cor, como se o céu tivesse esquecido de ser pintado pelo mundo.
Dayse estava sentada na escrivaninha, com os olhos fixos no copo de água à sua frente. Ao lado, três comprimidos: dois brancos e um azul, os mesmos de sempre, que ela vinha tomando há semanas. Mas agora ela sabia: aquilo não era só remédio; era veneno disfarçado de cuidado.
Sem hesitar, ela os engoliu, fingindo aceitar a situação — era parte do disfarce que precisava manter. Cada deglutição era uma tentativa sil