Obcecada por 2 Bilionários: O Segredo por trás das Máscaras

Obcecada por 2 Bilionários: O Segredo por trás das MáscarasPT

Romance
Última atualização: 2026-04-22
L.C.Valmont  Atualizado agora
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Resumo
Índice

Ela jurou nunca mais se perder por amor… mas talvez precise se perder para se reencontrar... Alyne Breder é uma jovem carioca que aprendeu a sobreviver antes mesmo de voltar a viver. Mãe solteira de três meninas, formada em Análise de Sistemas e Contabilidade, ela carrega nas costas não só responsabilidades, mas também as marcas profundas de um casamento que destruiu sua autoestima. Entre boletos, maternidade e noites solitárias, Aly encontra refúgio escrevendo romances darks eróticos — histórias intensas que escondem tudo aquilo que ela ainda não consegue viver. Determinada a se reconstruir, ela decide seguir o conselho da sua sexóloga: redescobrir sua feminilidade, seu prazer... e principalmente, a si mesma. Quando surge a oportunidade de um encontro a três totalmente anônimo em um site nada convencional, Alyne vê ali a chance perfeita de romper suas próprias barreiras. A única regra? Máscaras. Nenhuma identidade. Nenhum envolvimento. Mas o destino tem outros planos. O que deveria ser apenas uma noite de autodescoberta se transforma em um jogo perigoso quando Aly cruza novamente com Victor Hassum e Rodolfo Alencar — melhores amigos, poderosos CEOs e homens acostumados a ter tudo sob controle... até conhecerem ela. Entre desejo, conflitos e sentimentos inesperados, uma rivalidade nasce… e Alyne se vê dividida entre dois homens intensos, dominantes e irresistíveis. Agora, ela precisa decidir: seguir o coração… ou finalmente escolher a si mesma. Mas e se a escolha não for tão simples assim?

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Capítulo 1

Capítulo 1

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Alyne Breder

“Será que ainda dá tempo de desistir?” pensei pela milésima vez desde que vi a confirmação de pagamento no site de encontro às cegas.

— Vai sair pra onde assim toda cheirosa, mãe? — disse uma das minhas filhas.

Fiquei sem saber o que responder para ela.

É claro que Bianca e Valentina estavam muito curiosas para saberem o que a mãe delas iria fazer na rua, àquela hora da noite. Não estava tão tarde ainda, porém eu não era de sair assim, principalmente nesse horário e usando o tipo de roupa que me encontrava terminando de vestir.

Algo bem ousado até para mim.

— É pra alguma festinha, mamãe? — Val quis saber ao se aproximar de mim que havia acabado de me sentar à penteadeira para passar um pouco de maquiagem. Um simples e elegante.

— A gente pode ir? — Bibi perguntou, se aproximando também, parando do outro lado.

— Não e não — falei veemente resgatando os estojos de sombras e blush que ambas tinham pegado de cima da penteadeira — A mamãe vai sair para jantar com uma pessoa.

Precisei mentir, pois eu não teria coragem de dizer a verdade para elas duas que só possuíam seis anos ainda.

— A senhora vai atrás de um novo papai pra gente?

Parei de passar o pó compacto em meu rosto e olhei para Valentina. Ela, assim como a irmã, sentia muita falta da presença de um pai. Marcos, meu ex-marido, nunca foi um pai de verdade, interessado na vida das nossas filhas, muito menos amoroso com as três.

— Quero um papai bonitão e com um montão de dinheiro assim... — Bianca esticou os bracinhos o máximo que conseguiu, tirando uma leve risada minha — ...só pra eu fazer inveja nas meninas do colégio que chamam a gente de órfãs pobretonas.

Meu riso se desfez instantaneamente, pois aquilo havia me pegado de surpresa. Eu nem imaginava que as minhas filhas sofriam aquele tipo de coisa na escolinha.

Me virei na cadeira, pegando nos bracinhos de ambas, fazendo com que as duas ficassem à minha frente.

— Vocês não são órfãs e nem pobres, meus amores. Cada centavo que a mamãe ganha com os livros dela é para dar o melhor para vocês duas e para a irmãzinha de vocês. Não consigo comprar bonecas caras, mas nunca deixei de comprar outras bonecas e brinquedos para vocês, princesas. Sem contar que moram em uma boa casa...

— Mas ela é do vovô e da vovó...

— E nem tem piscina pra brincar como tinha na outra casa que a gente morava, mãe.

— Eu sei, meus amores. Mas, prometo que em breve vamos para uma casa que tem piscina, tá bom?

Os olhinhos de ambas se iluminaram com a notícia.

— Quando, mamãe? — Val indagou.

— Daqui uns meses, princesa. A mamãe precisa terminar de juntar o dinheiro para mandar fazer uma casa do nosso jeitinho.

— Pode ter uma sala de brinquedos e um parquinho que nem na escola, mãe?

— Claro, meu amor.

Bibi sorriu animada e me deu um abraço, dizendo que me amava muito e que iria esperar paciente pela nova casa.

Ri da minha pequena e abracei minha outra filha também antes de pedir para que as duas fossem para a sala, onde os meus pais estavam com a Maria Eduarda, minha filha mais nova de oito meses.

Assim que me vi sozinha, voltei a me maquiar, pensando no que eu ia fazer naquela noite.

Nunca fui capaz de realizar esse tipo de loucura na vida ao qual iria fazer hoje, porque sempre havia sido a “careta” da turma nos tempos do colégio e também no período da faculdade. Enquanto muitas garotas saíam para as baladas e iam atrás de macho, eu ficava em casa, estudando.

Com isso, me formei em Análise e Desenvolvimento de Sistemas com a minha grade de notas no máximo, fazendo com que logo em seguida eu conseguisse um trabalho em uma boa empresa.

Dentro do meio corporativo, interagindo com outras pessoas com a mesma afinidade de interesses, eu me sentia como se tivesse em uma segunda casa. E foi ali que eu conheci o meu primeiro amor, jurando que íamos seguir a ordem certa da vida: namorar, casar, ter filhos e envelhecer juntos.

Mas o universo tinha outros planos para mim.

Na época, não suspeitei de que Marcos na verdade possuía vergonha de mim por eu ser gorda e acabei acreditando nas palavras dele quando me dizia que o nosso namoro e encontros deveriam ser escondidos porque éramos da mesma empresa e ali havia políticas internas rígidas contra envolvimento entre funcionários.

Principalmente, entre chefe de setor e subordinada, que era o caso da gente. Quase um ano depois, de encontros às escondidas e de tentativas nossas para eu não engravidar, descobri que estava grávida de Marcos e o avisei, como constava nas regras internas da empresa.

Fiquei nervosa e também na expectativa de ver a reação dele à notícia, mas Marcos não esboçou nenhuma reação de felicidade e sim de muita preocupação. E até de acusação, jogando a culpa toda em cima de mim por aquilo ter acontecido, sendo que eu havia feito tudo o que ele mandava fazer.

Tomava o meu anticoncepcional nas horas certas. Quando ficávamos, Marcos era quem levava, colocava e tirava as camisinhas, levando consigo para jogar fora longe das minhas vistas.

Após alguns minutos de conversa em sua sala, fui demitida por ele. Não fiquei triste, porque Marcos me chamou para irmos morar juntos, explicando que a minha demissão era justamente para que ele não fosse prejudicado também e acabasse perdendo o seu emprego.

Por estar cega de amor, eu aceitei aquela desculpa sem sentido e fui morar com Marcos em um bairro bem afastado da cidade. Foi então que eu realmente vi quem ele era de fato.

Não nos casamos oficialmente, nem no papel e nem na igreja. Apenas fomos viver sob o mesmo teto. E hoje vejo isso como uma benção, pois foi menos um empecilho para que eu me livrasse das garras manipuladoras dele.

Marcos havia feito uma lavagem cerebral tão forte em mim que mesmo morando a poucos quilômetros dos meus pais e familiares, eu não os visitava porque ele me fez acreditar que minha família queria nos separar e se aquilo acontecesse, ninguém iria me ajudar a criar os meus bebês.

Além disso, Marcos nunca sequer me deu uma cópia da chave de sua casa. Quando saía para trabalhar, me deixava trancada dentro daqueles muros altos que rodeavam a residência. Nem com os vizinhos eu interagia, por medo.

Os berros, os xingamentos e as frases depreciativas vieram quando minha gravidez já estava bastante avançada. Isolada das pessoas que me amavam realmente, eu entrei em uma profunda depressão sem mesmo sentir que a cada dia eu me afundava mais e mais.

Passei então a descontar minha frustração pela vida na comida e engordei mais ainda durante os anos seguinte, criando assim um ciclo tóxico onde era criticada e atacada por Marcos por estar gorda demais, e eu acabava comendo mais para me sentir bem comigo mesma, consequentemente recebendo mais ataques e críticas dele.

Marcos nunca chegou a levantar a mão para me bater, mas eu preferiria mil vezes que ele o tivesse feito, pois para mim, as marcas físicas são menos destrutivas do que as marcas psicológicas.

Um ferimento ou hematoma na pele em decorrência de uma violência física pode ser curado ou mascarado por uma boa maquiagem. Já uma ferida ligada direto no seu “eu” como pessoa é muito mais profunda. Podendo nem se quer chegar a cicatrizar.

E a minha ainda se encontrava aberta. Sangrando. Pulsando fortemente, mesmo tendo conseguido me libertar daquele relacionamento tóxico e abusivo ao qual vivi por anos.

Minha autoestima, meu “eu” como mulher e a confiança em mim mesma foram totalmente destruídas por Marcos. Além da comida e do amor que eu tinha pelas minhas filhas, passei a me refugiar nos livros também. Vendo meu lado escritora despertar e florescer rapidamente.

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