A claridade do teto me corta em lâminas. Demoro um segundo para entender que o branco não é da minha casa, nem da biblioteca do meu pai. É de hospital. Duas paredes lisas, cheias de nada; o ar condicionado sussurrando; um bip compassado vindo de algum lugar logo acima da minha cabeça. Sinto um incômodo no antebraço: uma agulha fixa com esparadrapo, ligada a um soro transparente. Viro só um pouco para a direita e vejo meus pais encolhidos num sofá estreito, dormindo como quem decidiu montar guar