Narrado por Anastácia
A sirene da ambulância cortava o ar como uma navalha.
Eu sentia o ombro queimar. O sangue escorria pela lateral do corpo, colando o tecido do vestido à minha pele. Cada solavanco da ambulância fazia meu corpo estremecer, mas nada doía tanto quanto o olhar de Marcelo.
Ele me olhava como se estivesse vendo uma parte dele mesma quebrada ali na maca.
Ele não falava. Só respirava fundo, os olhos em mim, a mandíbula cerrada, as mãos manchadas de sangue segurando as minhas.
Anast