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CAPÍTULO 5: DESEJO SEM FIM

Assim que a porta do quarto se fechou atrás deles, o silêncio pareceu mais pesado do que qualquer barulho da festa. Salvatore não soltou a mão dela nem um instante. Caminhou até ela e, sem dizer uma palavra, empurrou-a suavemente contra a parede fria.

— Por que está tão bravo? — perguntou ela, com a voz um pouco trêmula. — Eu não fiz nada de errado.

Ele apoiou uma das mãos na parede, ao lado da cabeça dela, prendendo-a ali. Os olhos escuros faiscavam de uma raiva que parecia misturada com algo mais intenso ainda.

— Não fez? — rosnou ele, aproximando o rosto até quase tocar o dela. — Você acha que eu sou cego? Acha que eu não percebia como vocês se olhavam antes de tudo isso? Como sempre estavam juntos, rindo, se aproximando...

— Nós éramos apenas amigos! — defendeu-se ela, tentando se soltar sem sucesso. — Nunca houve nada entre nós!

— Tem certeza? — apertou um pouco mais o espaço entre eles. — Alguma vez você deixou ele chegar mais perto? Alguma vez ele tocou em você como eu toco agora?

— Nunca! — garantiu ela, firme. — Eu juro que nunca houve nada além de conversas e gentilezas.

Salvatore levou a outra mão até a cintura dela, subindo devagar pela lateral do corpo, até chegar ao pescoço. Segurou-o com firmeza, sem machucar, mas fazendo questão de lembrar quem mandava ali.

— Que bom que é assim — sussurrou ele bem perto dos seus lábios, a voz carregada de aviso. — Porque se eu descobrir que ele sequer tocou um fio de cabelo seu antes de mim... eu corto as mãos dele fora. Ou talvez a própria cabeça. Ninguém toca no que é meu. Ninguém.

Angelina sentiu um arrepio percorrer todo o corpo. Não era medo apenas — havia uma faísca quente, um desejo que ela não conseguia controlar, que crescia cada vez mais quando ele falava daquela forma.

Ele percebeu o tremor no corpo dela. Sorriu de canto, aproximando o rosto do pescoço dela. Inspirou fundo, sentindo o perfume suave da sua pele, depois passou a língua devagar pela curva do pescoço, chupando levemente a pele macia, fazendo ela arquear o corpo contra o seu.

— Você é minha — repetiu contra a pele dela, a voz rouca de desejo. — E não vai esquecer disso nunca mais.

Pegou-a pela mão, puxando-a com firmeza até a cama grande no centro do quarto. Ali, a discussão perdeu espaço para o fogo que havia entre eles.

Ele a deitou devagar, mas sem perder a urgência. Beijou cada centímetro do seu rosto, desceu pelo queixo, pela garganta, até chegar ao decote do vestido que ele arrancou com uma única puxada forte. Os lábios desceram sobre os seios dela, beijando, mordiscando levemente, chupando com calma enquanto ela gemia baixo, agarrando os cabelos dele.

Não teve pressa. Desceu mais, beijando toda a extensão do seu corpo, fazendo ela perder o fôlego, esquecer o nome, esquecer o mundo fora daquele quarto. Quando ela já não conseguia mais conter os gemidos, ele voltou a subir, cobrindo o seu corpo com o seu, mas parou antes de se juntar a ela.

— Agora você — mandou ele, puxando-a para cima, fazendo com que ela ficasse por cima. — Vem. É você quem manda agora. Aprenda a cavalgar o que é seu.

Ela hesitou por um instante, mas o desejo era maior que a vergonha. Ele segurou sua cintura, guiando cada movimento dela, ensinando, sentindo cada toque, cada gemido que saía da boca dela. A intensidade era avassaladora — parecia que os corpos se conheciam há muito tempo, se encaixavam perfeitamente como se fossem um só.

Não foi apenas uma vez. Quando o cansaço parecia chegar, o fogo voltava com mais força. Eles se reviravam na cama, trocavam de posições, se agarraram como se fossem se perder um do outro a qualquer instante. Beijos ardentes, toques que faziam tremer, sussurros de posse e desejo que enchiam cada canto do quarto.

A noite toda foi assim: entrelaçados, entregues ao instinto, ao desejo que não conseguiram mais esconder um do outro. Até o sol começar a aparecer lá fora, pintando o céu de tons claros, e eles finalmente caírem exaustos, ainda juntos, com a respiração ofegante e o coração batendo forte no peito.

Na manhã seguinte, Angelina permaneceu alguns instantes em silêncio, tentando organizar os próprios pensamentos.

Ela fechou os olhos, tentando convencer a si mesma de que aquilo acontecia apenas por causa do contrato.

Ao seu lado, Salvatore permaneceu em silêncio, encarando o teto.

Nenhum dos dois ousou dar nome ao que estava acontecendo.

Era mais fácil continuar chamando aquilo de obrigação.

Mas, pela primeira vez, essa desculpa começava a parecer frágil demais.

Porque, por mais que tentassem acreditar que tudo aquilo era apenas parte do acordo, cada vez ficava mais difícil convencer a si mesmos.

E nenhum dos dois estava preparado para admitir isso. 

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